Cosmos & Consciência



quarta-feira, 28 de agosto de 2019

O que é transdisciplinaridade?




7 perguntas sobre os transaberes para Nelson Job






Os transaberes, a transdisciplinaridade aplicada à vida, já existem há quase 10 anos, mas sempre gerando questões. Resolvemos resumir aqui as principais dúvidas que sempre aparecem, respondidas pelo seu criador, Nelson Job:

1) Quem é Nelson Job?
Nelson Job: Sou mineiro, nascido em Muriaé, Minas Gerais, mas como Muriaé está no planeta Terra e a Terra está no cosmos, sou também cósmico! Moro atualmente na cidade do Rio de Janeiro e vou semanalmente à São Paulo. Trabalhei como lavrador, DJ, psicólogo clínico e atualmente sou pesquisador na UFRJ e atrator de cursos e grupos de estudos particulares. Sempre me interessei por muitas coisas diferentes, como filosofia, esoterismo, meditação, ciência, literatura (incluindo histórias em quadrinhos), todo tipo de música (rock, pop, eletrônico, blues, clássica), cinema, series etc. Também sou um dos editores da revista transdisciplinar Cosmos e Contexto (clique AQUI para ter acesso) e a partir dela co-organizo eventos transdisciplinares. Tudo isso influenciou na criação dos transaberes.


2) Pra quê servem os transaberes?
NJ: Pra tudo e pra nada. Explicando melhor: os transaberes emergem espontaneamente a partir das minhas inquietações na vida. A primeira “necessidade” dos transaberes é resolver um problema de dissociação entre discurso e prática. Existe atualmente no meio acadêmico e afins da assim chamada “transdisciplinaridade”, ou seja, da emergência de um saber híbrido, oriundo da relação entre diversos saberes. É preciso entender que o multidisciplinar são as disciplinas colocadas lado a lado, sem se relacionarem, como em uma enciclopédia ou na escola e na universidade. O interdisciplinar é quando as disciplinas se atravessam. É do interdisciplinar que emerge o transdisciplinar. No entanto, se a transdisciplinaridade tem por características a flexibilidade, a relacionalidade, a abertura, o processual, a capacidade de lidar e até assimilar a diferença; por sua vez, quem enuncia a transdisciplinaridade, por diversas vezes, o faz de maneira intransigente, sem diálogo e sem abertura. Para denunciar esse descompasso entre discurso e prática, criamos o termo “transaberes”, o atravessamento ao longo dos saberes, entendendo o saber oriundo de uma prática de sabedoria, que envolve necessariamente uma relação consistente entre discurso e prática. Vive-se o que se diz. Pensar e ser se desdobram em intuição.


3) Como esse dualismo surgiu?
NJ: Os transaberes apreendem o surgimento desse dualismo na história do conhecimento, desde a passagem do matriarcado ao patriarcado e  na crença em divindades na Antiguidade separando deuses e humanidade. Disso, passamos para a filosofia, o Iluminismo, A Revolução Científica etc. Esse dualismo gera um sensação de desamparo, de desconexão com o mundo. Isso gera sofrimento, depressão etc.


4) Como os transaberes resolvem esse problema do dualismo?
NJ: Primeiro, fazendo um inventário dos principais autores e conceitos que propuseram, ao seu tempo, unificações: os xamãs, os bruxos herméticos, a filosofia em devir (da impermanência) e sua relação com algumas filosofias orientais, a física moderna, a cosmologia etc. Depois, estabelecendo ressonâncias entre esses conceitos. Em seguida, criando conceitos novos a partir dessas ressonâncias como o vortex, a Unidade Dinâmica e a anarquia sagrada e, finalmente, propondo práticas meditativas a partir do meu exercício em vortex, que permite uma experiência disso tudo.


5) Deve ser muito difícil entender isso tudo... por exemplo, não sei nada sobre física! Posso, de fato, entender os transaberes?
NJ: Claro! Nós apenas usamos os conceitos da física sem os cálculos matemáticos. Damos preferência aos textos de divulgação científica de grandes físicos. Se estudarmos a história do conhecimento, veremos que várias teorias físicas vieram de ressonâncias entre saberes diferentes, por exemplo: a teoria da gravidade de Newton se inspirou na alquimia, já o campo eletromagnético de Maxwell tinha influência da filosofia dos primeiros românticos alemães etc.


6) Os transaberes podem me ajudar a entender o sentido da vida?
NJ: Os transaberes ajudam a apreender que o sentido da vida não deve ser dado a priori, ou seja, não deve ser fornecido por um conjunto de dogmas ou leis pré-estabelecidas. O sentido da vida é sempre um processo de criação. Assim, com os transaberes vamos apreendendo que o sentido dar vida é criar sentidos pra ela.


7) Qual a melhor forma de começar a estudar os transaberes?
NJ: Existem várias formas. Recentemente, é possível fazer o meu curso online “Iniciação aos transaberes”. Nele, é feito o percurso histórico, os autores mais importantes que me influenciaram ao conceber os transaberes, a explicação dos principais conceitos dos transaberes e, ao final, tem um exercício em vortex guiado. Saiba mais clicando AQUI. Tem os meus cursos presenciais, para saber mais, envie email para nelsonjobvortex@gmail.com. Tem o meu livro “Ontologia Onírica” (saiba mais AQUI) e neste blog.

Nelson Job
(por Paloma Carvalho)


O que é o Meditação?





O Exercício em Vortex, uma Meditação à Luz dos Transaberes

Nelson Job

Quando as pessoas começam a conhecer meus textos, cursos e grupos, naturalmente surge a dúvida sobre o que é, de fato, o que eu chamo de “exercício em vortex”? Vamos aqui comentar isso.

Primeiro, o vortex é um conceito dos transaberes que se instala anteriormente à divisão dos saberes como filosofia, ciência, arte e espiritualidade. No desenvolvimento do conceito de vortex, foi emergindo uma prática do mesmo.

Da confluência ao longo desses saberes, que discutem meditação e outras práticas, naturalmente surge a possibilidade de se desenvolver uma prática à luz dos transaberes, que é o exercício em vortex.

O exercício em vortex é, sobretudo, a confluência da meditação autoinquiritiva do Advaita Vedanta com o Estado Vibracional da Conscienciologia.

O Advaita Vedanta é uma filosofia não-dual indiana consolidada por Shankara no século VIII DC. A prática da meditação autoinquiritiva foi transmitida com mais compreensão para o Ocidente em meados do século XX por Ramana. Se, no Ocidente, associa-se muitas vezes “meditação” com uma prática de bem-estar que envolve concentração, respiração profunda, podendo incluir até entoação de mantras, na autoinquirição, todos os fenômenos são entendidos como "setas" para se apontar para a Unidade.

Por sua vez, a Conscienciologia é uma dissidência do Espiritismo kardecista feita pelo médico e médium Waldo Vieira, tendo como característica um discurso anti-religioso e com aspirações científicas.

O Estado Vibracional, saber que veio da China antiga e suas técnicas baseadas no Chi, citada primeiramente pelo engenheiro de som e criador do Instituto Monroe Robert Monroe. Mas foi Waldo Vieira o que desenvolveu a prática com grande complexidade e de uma forma mais acessível. O Estado Vibracional é atingido através da Mobilização Básica Energética, uma prática de modulação das energias sutis corporais.

Da confluências sobretudo dessas 2 práticas, a meditação autoinquiritiva e da Estado Vibracional, emerge o exercício em vortex, que envolve uma meditação inicial autoinquiritiva, mas voltada para o conceito dos transaberes chamado Unidade Dinâmica, a instância de vibração mínima do vortex e, em seguida a instalação, via imaginação e vontade, de um macrovortex em torno do corpo da pessoa, em seguida de um microvortex e perceber o vortex entre as mãos, como pode-se observar nas imagens a seguir:



Macrovortex 
(por Paloma Carvalho)

Microvortexes
(por Paloma Carvalho)



Vortex entre as mãos
(por Paloma Carvalho)


Esses 2 exercícios são a base para inúmeros desdobramentos do exercício em vortex, que envolvem, por exemplo, clarividência, telepatia, percepção intensificada, percepção de campos etc.

Eu também faço sessões individuais para trabalhar questões pessoais a partir do exercício em vortex. Para saber mais, entre em contato com nelsonjobvortex@gmail.com.

sábado, 1 de junho de 2019

Curso online "Iniciação aos transaberes"





Você sempre quis saber as relações entre filosofia, ciência, arte, política e espiritualidade?  E como trazer para a vida prática essas relações?  Pois é exatamente o que os transaberes fazem! E agora, você pode entrar em contato com essa confluência de saberes através do curso online 
"Iniciação aos transaberes"!


Assista ao trailer do curso: 



O curso pode ser adquirido clicando AQUI.
Está disponível no link acima um vídeo-degustação gratuito do curso: é só clicar no vídeo intitulado "Módulo II, 'Unidade Dinâmica'; vídeo 3: PENSADORES EM DEVIR".

É  o primeiro curso online dos transaberes, cujo atrator é Nelson Job. São 12 aulas gravadas com 5 módulos: 
1) O que são os transaberes?:  disciplinaridade, multidisciplinaridade, interdisciplinaridade, transdisciplinaridade e transaberes. Explicamos nesse módulo o surgimento do dualismo no história do pensamento ocidental, de Platão a Kant.

2) Unidade Dinâmica: a instância de vibração mínima do vortex. Faremos uma discussão sobre a relação de múltiplo e uno no pensamento, de Heráclito, Estoicos, passando pelo hermetismo, Spinoza, Bergson e Deleuze & Guattari.

3) Vortex: o conceito mais importante e sua relação com a filosofia, ciência, arte e espiritualidade. Falaremos de onde veio o conceito, das mônadas de Leibniz, os fractais da teoria do Caos, a mecânica quântica etc.

4) Anarquia sagrada: anarquia, anarquismo, pós-anarquismo, anarquia sagrada e proposta de vila-campus Vortexa. Falaremos também sobre a máquina-abstrata de Deleuze & Guattari, a Zona Autônoma Temporária de Hakim Bey e os processos de auto-organização.

5) Exercício de vortex: exercício guiado de vortex, confluindo meditação e estado vibracional.

Quem adquirir o curso terá o curso disponível por 6 meses,  direito a uma reunião online ao vivo em grupo para tirar dúvidas, 5 PDFs com versões exclusivas de textos para desdobrar os conceitos apresentados no curso.

Valor: R$99,00 (preço promocional de lançamento)

Quer saber mais? Envie suas dúvidas para nelsonjobvortex@gmail.com


Curso Iniciação aos Transaberes:



Nelson Job é o criador dos transaberes - a transdisciplinaridade na vida - autor do livro "Confluências entre magia, filosofia, ciência e arte, a Ontologia Onírica", psicólogo e doutor pelo HCTE/UFRJ.


TRANSABERES  nas redes socias:







                                     






quarta-feira, 29 de maio de 2019

E-book "A Transdisciplinaridade da Consciência"


O livro A Transdisciplinaridade da Consciência foi co-organizado por Nelson Job no grupo avançado que ele pertence na UFRJ de estudos da consciência e nele está o seu artigo mais importante, "Emergência no Inominável", sobre o conceito de vortex dos transaberes.

Quer fazer o dowlnoad do livro?
Apenas preencha seu nome e-mail abaixo e receba o link para o download!



domingo, 31 de março de 2019

Guerra híbrida no Brasil





Nelson Job



Para entender a atual turbulência brasileira e sofisticar a discussão sobre ela, é necessário uma maior compreensão do conceito de “guerra híbrida”. Grosso modo, a guerra híbrida sugere uma estratégia complexa de guerra não-convencional, sobretudo dos EUA, para impedir um mundo multipolar, em que se usa o mínimo possível de armas e soldados e manipula-se o país rival por meios outros. A estratégia é inspirada na teoria do caos, na psicologia social, na estratégia militar e de propaganda. Em linhas gerais, os passos da guerra híbrida são: a) envio de diplomatas americanos e cooptações de locais para traçar a estratégia b) manipulação das mídias sociais, através de perfis falsos, agentes infiltrados, robôs com programas voltados às redes sociais, para estimular sobretudo raiva e medo, direcionando essas emoções para o governo em questão, c) estímulos à organização de manifestações, de preferência em locais simbólicos, d) acirramento de pedidos de fim do governo, com auxílio estratégico da mídia, e) queda do governo, f) novas eleições, nas quais se usam táticas semelhantes a favor de certo candidato alinhado com os EUA. A guerra híbrida vem se sofisticando e adquirindo características rizomáticas.

Alguns autores se destacam na sistematização do conceito de guerra híbrida. O primeiro artigo que se tem notícia é do militar norte-americano Frank Hoffman. O trabalho mais amplo e conhecido é o do analista político Andrew Korybko, com o livro “Guerras Híbridas”, lançado no Brasil, que utilizou, entre outros, documentos do exército norte-americano vazados pelo WikiLeaks. Nessa obra, Korybko analisa sobretudo os casos da Síria e Ucrânia, entretanto escreveu, em artigo, que o Brasil se encaixa perfeitamente no conceito. Outro autor importante é o jornalista Pepe Escobar, do Asian Times. Realizando análises mais detalhadas sobre o caso brasileiro, há o antropólogo Piero Leirner e o jornalista Wilson Roberto Vieira Ferreira.

Resumindo algumas análises, o Brasil supostamente passou a ser um alvo urgente da guerra híbrida com a descoberta do pré-sal. Naquele momento, os EUA iniciariam os processos elencados acima, os quais são fáceis de especular: a) estímulo a discursos de ódio e de medo nas redes sociais, envolvendo a propagação de blogueiros e influencers de cunho conservador e, com menor intensidade, a grande mídia, contra a presidente Dilma e seu partido, b) fomentação da Lava Jato, a parte da estratégia que seria mais sofisticada que hoje começa a ser mais questionada c) processo contra  Lula, candidato à presidência com mais chances de vitória, d) manifestações em que um dos temas era a crítica à presidente Dilma em locais simbólicos, como o Congresso Nacional, em Brasília e a Cinelândia, no Rio de Janeiro, e) impeachment de Dilma, f) prisão de Lula, e) estímulo à candidatura de Jair Bolsonaro, alinhado com os EUA e sua consequente vitória.

É preciso reconhecer, também, o perfil conservador de grande parte do povo brasileiro. No entanto,  dado as pesquisas, isso provavelmente não seria suficiente para a extrema-direita vencer as eleições de 2018 e sim, um campo fértil que foi estimulado e propagado.

O descrito acima não pretende sugerir de forma alguma que o governo de esquerda no Brasil esteja isento de críticas. Nossa expressão política é extremamente crítica a qualquer grande líder político, evocando sempre que possível uma anarquia sagrada. Entretanto, se cabe a um país decidir seu próprio rumo, sem interferências externas, vindas de outro país, é preciso observar como o discurso brasileiro anticorrupção se volta a determinados alvos. Geralmente, os alvos são políticos específicos, mas no tocante a Lula e Dilma, criou-se um imaginário de que todo o partido a que são filiados seja corrupto. A organização partidária, para nossa conceituação, é falha. Mas é preciso chamar a atenção para a diferença da mídia no tratamento de cada partido. Nosso argumento tampouco insinua que junho de 2013 tenha sido um fracasso – é preciso reconhecer a potência das ocupações nas escolas, do crescimento das organizações de minorias políticas etc.

As análises que demonstraram a influência do Facebook e do Cambridge Analytica nas eleições norte-americanas e no Brexit, orquestrados sobretudo por Steve Bannon, se colocadas em relação com os encontros de Olavo de Carvalho, Eduardo e Jair Bolsonaro com o próprio Bannon, seriam alguns dos eventos que corroboram com a aplicação do conceito de guerra híbrida ao caso brasileiro.

A consequência do avanço da guerra híbrida no Brasil seria a desestabilização de  vários campos sensíveis para o desenvolvimento econômico e social, sendo a reforma da previdência no modo financista, mais um componente nesse processo. Existem também estudos da guerra híbrida aplicados no caso da Venezuela.

Qual seria a solução para a guerra híbrida? Sem respostas fáceis, o primeiro passo é colocá-la mais em pauta, para que a discussão seja clara e o problema se torne visível. Um caso a acompanhar de perto é o dos coletes amarelos, na França, cuja parte da mídia já começa a difamá-los. Com sua autogestão de inspiração anarquista, descentrada, eles conseguem evitar de eleger grandes líderes do movimento, esquivando-se, assim, da cooptação por quaisquer forças externas – sejam da mídia, do governo ou de oportunistas. Urge a pergunta: quando surgirá a versão brasileira dos coletes amarelos?