CO(S)MICIDADES: dia 15/10/16, sábado, de 10 às 18:00 (Rua Barão de Guaratiba, 29, Glória)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Elos

Texto coletivo


Sou eu e a tela vazia, sem eco, com cores e pincéis.

E assim começou a busca dos antimundos, das explosões.

Há uma tela em branco:

Começar a pintar... com qual cor e pincel se não tinha em mim a forma e nem a dimensão do que não sabia?

Talvez exista um canto certo para pintar um traço.

- ponto, curva, alguma geometria... (alguma sugestão?)-

Mas meus olhos me paralisam quando vejo o centro dessa branca tela vazia.

Sem dor, amor, forma ou sentido, vou pintar; não sei o que vai sair.

Se eu conseguir começar, serei um traço.

Se eu desistir...

um rastro,

uma aparição breve de algo que tentou existir.

Como começo?

Tem alguém aí? Ninguém por perto...

Olho a minha volta,

Sou eu, a tela branca, cores e pincéis.

... sou pincéis cores vazias e eco a tela eu branca...

Fecho os olhos. A mesma tela só que escura; sem as bordas do medo, sem trancas,

Abro os olhos e vejo a tela branca,

sem limites, um abismo cego.

o silêncio das duas me paralisa

Em torno, ninguém presente...

Se eu quiser não faço nada.

... existo?

Mas o que me leva a querer continuar?

Deixo-me levar pelos labirintos do desconhecido.

Então, pego o pincel e alguma cor ( estranho cores com nomes!...)

E arrisco um traço no meio da tela branca,

gradualmente me inclinei para uma ordem diferente, que se afinava

E percebi...

Dentro de me mim caminha um eu.

Vou me tornando aos poucos alguém que não sabia;

Sem definições, sigo em frente, para todos os lados e espaços,

buscando formas e conteúdos com liberdade de não saber para que.

A partir do centro, viajei no tempo espaço das cores,

em movimentos contrários, horários,

extraindo espelhos do meu verdadeiro eu.

Minha mão era meu corpo que imprimia cor na tela vazia e fui me tornando aos poucos alguém que não sabia, percorrendo os cantos sem qualquer paradigma.

Eu existia!! Existia?

Existia.

Existirei, em todos os tempos e todos os verbos.

mas o que me leva então a querer a continuar?

Convidei novas cores e elas vieram,

Dançaram na tela como pássaros que voam no céu.

Nós preenchemos os cantos, os meios, as laterais,

os móveis, o quarto, as ruas, estradas, o céu, as nuvens,

estrelas e o sem fim...

As cores dos meus sentidos estavam em mim,

E se tornaram minha própria canção.

Percebi a criação rotineira da vida a partir do nada,

Converti esse nada em vida e

minha foto foi assim sendo revelada.

Ela tem todas as cores sem definições.

Continuei em frente, num labirinto. Buscando uma saída, uma forma, um conteúdo sem saber para que

Que venha a Infinita Tristeza

Ela dá as pistas do quê se deve mergulhar, aprofundar

Onde cessa, já começa o deslize

Com fragmentos desdobram-se totalidades emergentes

Sou infinito...!

Comecei a viajar no tempo , em rotações contrárias, horárias, pincelando em direções diversas

O meio da tela é meu centro, é a festa do meu caminho,

extraindo do meu campo de criação pequenos espelhos do meu verdadeiro eu.

De lá, vou e volto, não volto e não vou infinitas vezes

Sem precisar concluir.

A Dança Cósmica é barroca e cyberpunk!

A dobra do infinito é chave pra se achar: devir

Sou um conjunto de linhas e interseções,

Cores que ainda existirão,

Espaços que se criarão;

Percebi a rotineira criação de vida a partir do nada.

Revelei essa vida em nada, minha foto foi sendo convertida.

Sou a forma mutante da multiplicidade que se recria.

Quanto mais eu caminhava no desconhecido, nas ruas estreitas da minha alma, afinadamente me diferia em uma ordem gradual, que se inclinava:

Eu caminho para dentro de mim...

Se eu conseguisse começar... seria traço

novas cores apareciam do nada e se recriavam a cada momento sem previsão , sem conclusão e em explosão.

se eu desistisse... seria rastro.

Eu adentro para caminhar de mim...

A partir de cada ponto de vista, vislumbro o nós/cosmos – pura relação – puro ressoar

Em cada poeira, um vestígio de Nós

Eu caminho.

E assim começou a busca dos pró-mundos, e das implosões.

Galgando os percalços rumo a Mais Sublime Gargalhada!

Seria esta experiência sensível a possibilidade do “ser” em mim?

O nada mais parece um conceito que produto.

Daqui deste ponto “sou” e esta sensação “é”. Para nada ou para tudo, sei lá o que isto quer dizer ou pode fazer.

Retirar-me dos elos gramaticais, culturais, racionais é permitir outras possibilidades existenciais. Outro curso sensível, mas seria este verdadeiro ou mais um curso possível?

E a verdade estaria na liberdade destas possibilidades, na descoberta de outras ou na crescente diversidade possível?

Viver, experimentar, conhecer e não esgotar a descoberta de “si” que se conecta faz pausa se atrasa ou se adianta dependendo das circunstâncias dominantes.


Um comentário:

joana disse...

interessante teu blog,o texto é como uma viagem ao meu interior,gostei!