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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Climáticas Mudanças

Nelson Job

Hoje blogs do mundo inteiro falam sobre as mudanças climáticas. O que eu gostaria de acrescentar nessa discussão é sobre o estatuto da "mudança" e o "clima".

Vivemos tempos singulares em que as "crises" que emergem são em vários níveis de uma forma evidente. Vejamos:

A crise econômica mostra que as previsões dos ditos "magos" dos negócios, ações etc não tem tanta credibilidade e a economia "mundial" está se descentralizando, tendo que necessariamente levar em conta singularidades chinesas (bolsões capitalistas em terrítório socialista), islâmicas (famílias que controlam nações e seu petróleo), América Latina (esquerdas ambíguas mais ou menos ditatoriais) e um Estados Unidos (um ícone vazio e saudoso de um poder homogêneo).

A crise da saúde: pestes, gripes caminham com a depressão que vem tornando epidêmica em grandes centros econômicos. A depressão sem solução aponta falhas nos "milagres" da indústria farmacêutica e da neurociência.

Assim, a crise da saúde evoca a crise na ciência: quais os ganhos na qualidade de vida da "revolução" da informação e acima de tudo, o que ciência mostrou de grande descoberta a partir da segunda metade do século XX para além da lenta sofisticação do que foi feito outrora?

A crise religiosa: a depressão mostra que a fé não vem dando conta da problemática humana. O islamismo X catolicismo mostra muito mais intolerância que o seu oposto. Onde se produz epifania, ou melhor, onde se produz religare?

E finalmente, a crise climática. Cientistas de direita e esquerda não chegaram a uma conclusão se o problema é de ordem humana (ação de poluentes no globo) ou cósmica (posição atual da Terra no sistema solar).

Todas essas crises ressoam profundamente. A crise que se instala é uma crise do sentido. A humanidade se pautou nos últimos milênios em instituições: todas elas se mostram decadentes agora. A instituição mais falha é a do próprio homem, ou sujeito, ou mesmo ego, eu. A atomização do sujeito desarticulou o homem dos cosmos e deixamos de apreender intuitivamente os processos de auto-organização micros e macros daonde emergimos. O que restam são escolhas permeadas pela razão, objeto recortado, inventado, que não tem muito sentido dentro de uma relação intrínseca coma intuição, emoção e religare: a sensação plena de pertencer ao cosmos.

As mudanças climáticas são - como sempre foram - simultaneamente ontológicas (desastres naturais) e epistemológicas ( falharam as instituições, os imperativos categóricos, as estruturas perenes). O "clima" evidencia no macro e no micro a instabilidade.

O que fazer com isso? Não basta separar o lixo orgânico e inorgânico. Não basta ser um "adestrado ecológico" se os agenciamentos homem-planeta não estarem em ligação visceral. Eu cuido da árvore, da formiga, da pedra e de mim porque eu sinto que estamos profundamente conectados. A ecologia necessária é uma ecologia das vísceras, da intuição-razão, da pertencência. É uma Ética - no sentido de uma produção contextual de acordo com o surgimento de problemas: uma ética forjada em plena acontecência e não uma moral - valores a priori impressos nas mentes enquanto instâncias superegóicas.

A crise, sendo uma crise do sentido, evoca um "criar com", em relação, para além do eu e para além de uma doutrina caduca de certos e errados. A crise evoca uma visceralidade. A crise evoca um rompimento com a política engravatada calcada em líderes narcísicos rumo a uma política de polís trans-nacional e trans-individual sem líderes, auto-organizada: um política cósmica!

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