CO(S)MICIDADES: dia 15/10/16, sábado, de 10 às 18:00 (Rua Barão de Guaratiba, 29, Glória)

sábado, 21 de novembro de 2009

DALD

Desinstituto da Alegria, Liberdade e Devir
Nelson Job






Acreditamos em um desinstituto porque as instituições estão cansadas: a escola não ensina, adestra. O hospital não cura, vicia. O Estado não coordena, controla. O homem não é, foi. Acreditamos em um movimento de ir além da instituição em qualquer nível. Acreditamos no amor, não como um contrato de estabilidade entre duas pessoas, mas amor enquanto mergulho relacional na ressonância profunda do cosmos. Acreditamos na produção de mais e mais alegria, e não na felicidade. A felicidade é apenas a falsa idealização de um suposto estado transcendental que é instituído para gerar a sua contrapartida: a infelicidade, e daí, consumo, adestramento. Acreditamos na liberdade, não como um conjunto de leis que indicam o que se pode ou deve fazer, mas na produção de desejo emergindo de uma ética. Acreditamos no devir, não como uma permanência da mudança, mas em um devir selvagem, em uma mudança que muda em uma total ausência de referências, com atratores efêmeros que sugerem o próximo passo da dança cósmica. Acreditamos na religião, não no conjunto de dogmas, mas no religare de coágulos-descoágulos do cosmos. Acreditamos na criação, não da mente individual, mas na criatividade inconstante de si do cosmos: a arte cósmica. Acreditamos na política, não como práticas de poder, mas na relação ética de atratores do cosmos. E acreditamos, sobretudo, na gargalhada, ainda mais que no riso, na gargalhada que sacode o cosmos, que faz perder o controle e ganhar a graça.



2 comentários:

Taís M. disse...

ALOKA ALOKA!

Carol G. disse...

Não conhecia esse texto Nelson. Simpático, real e "curativo" em alguma medida, pelo menos praqueles que leram a reportagem completa da Veja e discordaram.

bjs