CO(S)MICIDADES: dia 15/10/16, sábado, de 10 às 18:00 (Rua Barão de Guaratiba, 29, Glória)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Conto interativo: "OPACOS?"

Este conto "Opacos?" é interativo e pode ser acrescentado por quem quiser através dos "comentários", abaixo da postagem. É possível e até provável que os acréscimos sejam adicionados na postagem. A mudança de cores e fontes indicam a mudança de autor que podem ser encontrados no "comentários" do blog.



Estavam ali.

O alto foi o primeiro a falar:

- Quem são vocês, heim?

- Não conheço ninguém aqui...

Assumia a exuberante, olhando para todos e arrumando, nervosa, os cabelos suavemente rebeldes.

- Pô isso aqui tá muito sinistro!

Era a espevitada, um tanto assustada.

- Deve ter uma explicação.

Ponderou o senhor. Olhavam todos para o omisso, que olhava vazio para eles e gesticulava de forma branda com as mãos, tangiversando com o corpo a sua impotência.

- Vamos ver...

O senhor queria tomar a dianteira nas reflexões:

– O que estávamos fazendo antes... mesmo...

- Sei lá, pô!

Respondeu prontamente a espevitada.

- Eu não lembro...

O alto indica uma nesga de ansiedade, mas se segurava:

- ... de nada. Ou quase...

- Gente, eu também não. Então, o que que a gente vai fazer?

Exuberante estava um pouco confusa.

- Ai, putaquiupariu, eu tô fudida!!!

- Larga de ser espevitada, minha filha. Agora o que a gente tem que pensar no que vai fazer.

- Senhor, entendo o que quer dizer, mas não sei nem por onde começar. E aquele ali, então... completamente omisso!

- Cara... sei lá heim... por quê que eu tenho que falar alguma coisa, ô alto?

- Não tô te obrigando, não. Mas... que lugar é esse?

- Define “lugar”, alto. Pô, isso aqui é muito esquisito, muito... coméqui eu vô dizer... é...

- Opaco, espevitada. Isso aqui é muito opaco. Realmente, é até difícil nomear isso aqui de “lugar”.

- Senhor, mas então, a gente... espera? Espera pra ver o que acontece?

- Exuberante...

- Ai, obrigada!...

Ela passava, mais uma vez, a mão nos cabelos.

- Eh!... De nada - sorriu o alto – não acho que devíamos esperar...

- Aimeudeusdocéu, vamo fazer o quê então, porra??!!

Espevitada olhou com uma sugestão de desespero para o omisso. Talvez porque ele não soube lidar com aquele princípio de descontrole, talvez porque ele se comoveu com a situação de espevitada, se pronunciou:

- Sei lá... a gente pode ver se tem alguém aí fora...

- “Fora”? Bom, você está vendo algum “fora” por aqui?

Senhor tinha a voz calma, porém plena de dúvidas.

- Cara... num sei... mas pode ter, né?...

- Na falta de idéia melhor, é alguma coisa que a gente pode fazer.

- OK, alto!

A exuberante parecia alegre em achar o que fazer:

– Vamos chamar então. Tem alguém aí?

Gritou mais alto:

– Tem alguém aí?!!!

Os três (o omisso, não) começaram a bradar ora juntos, ora individualmente, repetidas vezes:

- TEM ALGUÉM AÍ????

Sem pensar duas vezes, a espevitada logo tentou desvendar o mistério. No entanto, mostrou-se ainda mais assustada com o que viu "lá fora".


fotografias de Flávia Da Rin

Neste momento, por sua reação, todos (menos o omisso) se apavoraram e começaram a perder o controle, enquanto tentavam chegar a um consenso em relação ao que poderia ser feito...




Continua?...

2 comentários:

Carol Grether disse...

Me lembrei daquele texto que vc deu no grupo, se não me engano do Bernardo Carvalho(?), do teatro das falas que justapostas tinham um sentido, da morte..
Muito legal esse!
Só que a parte mais eclarecedora pra mim é o último parágrafo quando vc diz : "..os três juntos(menos o omisso)..", eles só conseguiram algo quando não se omitiram??
hehe
Mesmo boiando, dá vontade de ler e reler.
um beijo

Cla Leal disse...

Sem pensar duas vezes, a espivetada logo tentou desvendar o mistério. No entanto, mostrou-se ainda mais assustada com o que viu "lá fora".
"Ilustração, Fotografias de Flávia Da Rin"
Neste momento, por sua reação, todos (menos o omisso) se apavoraram e começaram a perder o controle, enquanto tentavam chegar a um consenso em relação ao que poderia ser feito...