CO(S)MICIDADES: dia 15/10/16, sábado, de 10 às 18:00 (Rua Barão de Guaratiba, 29, Glória)

domingo, 10 de janeiro de 2010

Futebol e fascismo


Emanuel Tadeu Borges



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A bem da verdade, a motivação desse texto foi dupla. Em primeiro lugar um sentimento de nervosismo, ansiedade e depois de frustração, quando meu time perdeu a decisão do campeonato estadual. E em seguida, a enxurrada de mails com fotos, piadas, mensagens, algumas extremamente agressivas, da parte de torcedores do time vencedor (voltarei mais adiante a esse ponto da agressividade das brincadeiras, que não é o que parece ser e nem o tomo apenas de um ponto de vista meramente pessoal de quem se sente “zangado” ou humilhado). Em relação ao primeiro item, me senti como que tomado, “possuído”, por uma emoção, uma passionalidade que não desejava sentir, mas que, apesar disso, contra a minha vontade, me dominava. Esse caráter compulsório, esse sentimento de possessão me incomodou. Eu não conseguia deixar de me preocupar com o resultado do jogo, mesmo querendo! Isso me preocupou. Não conseguia deixar de ser torcedor! Minha vontade estava paralisada. Não tinha liberdade em relação a essa “paixão”. Fiquei assustado e percebi que era essa a essência da paixão esportiva. Mas isso é grave! (pensei eu). E tomando isso não apenas como uma questão pessoal mas como uma forma de reagir, senão de todos, pelo menos da maioria dos torcedores “perdedores” ou “derrotados”. E porque as palavras perdedores e derrotados vêm entre aspas? Porque os torcedores não participam ativa e diretamente nos resultados dos jogos de seus times. Nenhum deles encontra-se em campo jogando. Então qual a sua participação, o seu “papel”? Simplesmente torcer e consequentemente, comemorar as vitórias ou sofrer com as derrotas. Em outras palavras: arcar com as conseqüências “positivas” (“vitória”) ou “negativas” (“derrota”) de algo do qual tomaram parte emocionalmente, ou seja, imaginariamente, fantasiosamente. A consequência social do costume de “torcer” por uma agremiação esportiva, municipal, estadual ou nacional é única e tão somente desviar o povo, a população, os contingentes sociais do desenvolvimento de uma visão crítica e da consciência política propiciadoras de ações concretas de transformação do meio social (a isso se substitui o “ópio” que é a catarse que se dá através da paixão futebolística e aliás, de qualquer paixão esportiva).


Percebi isso examinando a raiva que sentia das gozações que se sucederam e constatando que, inversamente, de uma maneira festiva e com um sentimento de prazer, era o mesmo caráter compulsório que se traduzia nas catarses e comemorações dos torcedores do time adversário supostamente “vitoriosos” (mas eles não entraram em campo, caramba!). A mesma possessão, aliás reforçada porque recompensada pela vitória. Pensei que talvez, por isso mesmo, a situação dos “vitoriosos” era pior que a dos “derrotados”, pois o prazer impede a reflexão. A derrota não desencadeia necessariamente o espírito analítico, mas favorece-o, por ser um sentimento desagradável e aí você pode começar a pensar em porque exatamente está sofrendo e se este sofrimento tem sentido.


Há algum tempo já me escandalizava com pessoas chorando porque um time caiu para a segunda divisão ou outras rezando contritas (lágrimas nos olhos, mãos postas em oração! Cruzes!) por seu time. E a imprensa, os chamados “formadores de opinião”, em seu papel de exaltar essas manifestações de histeria coletiva e reforçá-las como se fossem “o que há de mais belo no ser humano”. Situações absolutamente doentias como a do famoso locutor afirmando que “é especialmente prazeroso ganhar da Argentina”. Ou seja, em termos claro, pregando a discriminação (a não ser que se prefira recorrer ao batido conceito de “rivalidade”) E os argentinos sentindo o mesmo em relação aos brasileiros. E todo mundo achando isso normal. Essas coisas, pensava eu, tem de ser postas à luz, denunciadas como patológicas e grotescas.


Minha proposta é o fim das torcidas esportivas. Essa proposta se sustenta numa reflexão filosófica, isto é, crítica, que visa desmascarar o efeito deletério que se encontra oculto sob uma suposta agremiação de indivíduos que se unem em torno de uma determinada agremiação esportiva, local ou nacional. E procurarei mostrar como esta forma de agrupamento humano é anti-social e leva ao dissenso sob uma aparência de diversão e recreação. Mas qual seria o intuito de se criticar ou filosofar sobre o fenômeno das torcidas. O homem comum diria: “Ora, deixa de bobagens! Afinal, como todo mundo sabe, todo mundo tem o seu time e temos que levar na brincadeira e com espírito esportivo, e agüentar a gozação ou fazer a gozação: não é isso o normal? De que serve aqui a filosofia?”

Quando alguém pergunta para que serve a filosofia, a resposta deve ser agressiva visto que a pergunta pretende-se irônica e mordaz. A filosofia não serve nem ao Estado, nem à Igreja que têm outras preocupações. Não serve a nenhum poder estabelecido. A filosofia serve para entristecer. Uma filosofia que não entristece ninguém e não contraria ninguém não é uma filosofia. Ela serve para prejudicar a tolice, fazer da tolice algo de vergonhoso.” (Deleuze; Nietzsche e a Filosofia)


Esse trecho é de um grande filósofo recentemente morto (em 1995) que, justamente, procurou denunciar as tolices que os homens cometiam, em todos os campos da vida, sem se dar conta. A tristeza a que ele se refere não é uma tristeza depressiva, que se entrega e paralisa, mas aquela que age para derrubar a tolice e a baixeza que a motivou. Portanto, aqui a filosofia é definida como um empreendimento crítico que necessariamente leva o pensador a agir, a nadar contra a corrente, a desagradar e incomodar a maioria, a tirar o sossego e desmoralizar a normalidade cotidiana, procurando denunciar o que há de grave por trás do que é aparentemente banal e inofensivo. Assim, nessa perspectiva, a filosofia não é mais vista somente como uma especialidade de gabinete ou apenas uma disciplina de Universidade, mas como uma forma de “guerrilha intelectual” ou um combate urbano, não com armas mas com idéias e que visa, acima de tudo, perturbar o “coro dos contentes”. Ou como dizia o Raul Seixas: “Eu sou a mosca que veio pousar na sua sopa...” Ora, defendo que uma das tolices mais graves do nosso mundo atual é o da paixão esportiva ou, como se o denomina, o fenômeno das “torcidas”.


Temos vários exemplos, de diferentes intensidades, mas que têm como marca comum a rivalidade hostil (sob a máscara da brincadeira). Tudo começa com uma espécie de provocação lúdica entre os torcedores rivais, aparentemente inofensiva. Me explico: há uma estranho sentimento de participação, uma vez que os que “torcem” não se encontram envolvidos no jogo, portanto não participam efetivamente da competição mas ficam de fora, envolvidos apenas emocionalmente. Ou lamentam ou comemoram algo em cujo resultado não têm como interferir. Resulta daí uma fantasia de pertencimento em relação ao que está se passando “em campo” ou “na quadra”. Ou seja, em termos psicológicos, ocorre uma transferência da personalidade do “torcedor” para o jogador, que passa a ser ídolo, quer dizer, alguém encarregado de realizar as fantasias ou compensar os fracassos e frustrações do espectador-torcedor.


Algo muito parecido acontecia no circo romano, onde os “Romários” e “Ronaldinhos” eram os gladiadores. Nada mais adequado à manutenção do status quo, isto é, do poder constituído. Ontem como hoje, as autoridades políticas incentivavam e investiam nessa forma magnífica de desviar a criatividade e o espírito crítico e de revolta da população, mantendo-a entorpecida e no papel de meros assistentes do destino de suas vidas, como das competições esportivas. Antigamente os líderes romanos sussurravam sarcásticos entre si que o que o povo precisava como “cala-boca” era de “pão e circo” (“Panem et circensis”, cochichavam entre si as raposas do senado romano; algo parecido devem cochichar, hoje em dia as raposas da política nacional) Bom, hoje em dia, o que o nosso Lula oferece não é muito diferente, é “PAC e Corinthians ou Flamengo”.


E o que é a massa de torcedores? As “nações” com seus “mantos sagrados”[1] e como vemos nas imagens de TV, nos dias de jogos decisivos, pessoas chorando e rezando a Deus pela vitória de seu time. E depois voltando para suas vidas de explorados, recompensados com o título estadual, nacional, ou mundial... Para tudo recomeçar no dia seguinte, no próximo campeonato, num eterno retorno da pequena dose do doce ópio popular dos “mais queridos”, coincidentemente os mais capitalizados (endinheirados, para falar claro) e por isso os que contam com os melhores jogadores e assim os melhores elencos e daí os ganhadores de títulos... e assim por diante. Cartas marcadas. Previsível não? Óbvio não? Porém o torcedor se considera um abençoado e se orgulha de ser tal time e de (sem ter entrado em campo) ganhar o jogo “ser campeão”. Não é estranho? Ou ao contrário, se desespera porque (sem ter entrado em campo) perdeu o jogo. E o primeiro, sem ter feito nada, se sente vitorioso e no direito de “gozar” o outro. E o segundo, sem ter feito nada, se sente perdedor, e envergonhado. Ou ambos discutem: um rindo outro chorando. Muito estranho, não? Mas afinal o que significa torcer por uma agremiação? Talvez o fato de que o torcedor – tanto o “vencedor” quanto o “perdedor” – não “entra em campo” na sua vida, o único campo decisivo e se mantém alienado. E vamos recorrer, de passagem, ao velho Marx: duas coisas vêm sempre juntas: alienação e exploração.


E o que significa ser alienado e explorado? Significa “tornar-se massa”. Fazer parte de uma massa indiferenciada. Agir com a massa. Perder a autonomia (do grego, “nomos”-lei; “auto”-própria: “lei-própria”), perder a individualidade. A existência da massa é uma das principais condições favorecedoras do exercício do poder. O elemento (pois na massa não há indivíduo) da massa não pensa, pois ele se move com a massa (ele reage, não age). A massa reage por instinto, “instinto gregário”, como os animais, para defender seu território. Por exemplo, um torcedor do time X não pode penetrar no território do time Y ou será trucidado (e infelizmente isto não é uma metáfora!). Ou um torcedor de Z é linchado por um grupo de torcedores de W, numa tocaia. A “paixão clubística” leva a esses excessos. Cada um que participa do comportamento passional de “torcer” participa “com um grão de sal” nesse contágio, nessa animalidade gregária. É uma chama, ainda que tênue, nessa fogueira. É como no caso das drogas, cada pequeno consumidor é um “pequeno investidor” da criminalidade. Não há como “ser só um pouquinho”. Ser é participar da “onda”, é tomar parte da rede passional que se instala na cidade.


Quem é o “torcedor”?


He’s a real nowhere man/Sitting in his nowhere land/Making all his nowhere plans for nobody/Does’nt have a point of view/Knows not where he’s going to/Isn’t he a bit like you and me. (“Ele é um verdadeiro homem de lugar nenhum/Em sua terra de lugar nenhum/Fazendo seus planos de lugar nenhum para ninguém/Ele não tem um ponto de vista/Não sabe para onde vai/Ele não é um pouco como eu e você?) [Beatles; “Nowhere man”]


E quando eu olho para as arquibancadas e a geral do Maracanã eu me lembro também dos Beatles: “Ah! Look at all the lonely people/Where do they all come from/Where do they all belong” (“Olhe para esse povo solitário/De onde será que eles vêm?/A que lugar eles pertencem?”). Isto tudo significa uma recusa do futebol? De maneira nenhuma! Mas da experiência do futebol como “conflito bélico” catalizador de agressões, explícitas ou sob a tênue membrana colorida da “gozação”, a casca de ovo sob a qual se desenvolve a serpente da segregação clubística. Basta examinar a fauna de “cartolas” que proliferam e engordam em torno do “negócio do futebol” e das “identidades esportivas” que os clubes geram. “Nações” onde a camisa do time passa a ser a “segunda pele”. É de arrepiar... de tão assustador, o que se anuncia por trás disso tudo. A linguagem não é inócua, neutra ou inocente. Ela é carregada de afetos que podem ser agregadores ou desagregadores. É só nos lembrarmos dos discursos políticos, ou melhor, do poder da retórica, que pode levar multidões de roldão (a maior parte das vezes para o abismo social, para o caos coletivo). O “homem de lugar nenhum” com seus “planos de lugar nenhum para ninguém” só precisa de um dedo que aponte “a direção” ou para “direção nenhuma” ou para a “direção contrária”, que ele irreflexivamente seguirá. Dê-se a ele uma dose semanal de Maracanã, Morumbi, Mineirão, etc. e ele estará satisfatoriamente dopado, insensibilizado pela “catarse no circo”.


Qual a experiência alternativa? De que forma (há uma forma?) o futebol como potência criadora, transformadora, revolucionária? Se existe, não sei. Mas começa com o fim das “torcidas organizadas” e talvez isso leve ao advento do futebol como experiência estética, quer dizer, como diversão e arte. Talvez o que nunca tenha ocorrido antes, nem na época romântica do futebol (pois os registros cinematográficos mostram já os personagens ora esquálidos e pobres, ora bem vestidos e elegantes, marcando a divisão social nas arquibancadas).


No caso específico do futebol, o nome mesmo do esporte indica algo muito interessante: o “velho esporte bretão”, como falavam os antigos locutores esportivos, nasceu com o nome de football association, o que traduzido quer dizer “associação (de homens) com a bola nos pés”. O futebol, do ponto de vista de sua essência, isto é, se o consideramos a partir das regras que o constituem e do modo como se efetuam na prática, apela para o princípio da “associação”, do coletivismo, da cooperação, da solidariedade e do espírito de grupo. É talvez, dentre os esportes coletivos, aquele que mais exige essa qualidade de integração grupal. Tanto que uma das principais condições para o bom desempenho de uma equipe é o entrosamento entre os jogadores, talvez mais que nos outros esportes de grupo, pelo número de componentes de cada equipe. São onze contra onze. E ainda que seja inegável a importância do talento individual, sem uma equipe bem armada taticamente (isto é, bem preparada coletivamente) o talento do “craque” não pontua (vide o caso atual de Messi, na seleção argentina, por exemplo). E aliás, talvez possamos afirmar que os grandes times de todos os tempos foram grandes revoluções dos modos de praticar o esporte, tanto por seus esquemas táticos renovadores, como pelo acúmulo de grandes talentos individuais no mesmo grupo. Ou talvez uma coisa não seja possível sem a outra. De qualquer maneira, o que queríamos afirmar é o caráter educativo dos esportes coletivos em geral e do futebol em particular. E ao mesmo tempo, como isso pode ser dissolvido, pelos valores fascistas que contaminam atualmente as atividades esportivas em geral e o futebol em particular e que acabam por funcionar como geradores de lucro e como instrumentos de dominação política.


Talvez a senha inicial seja: “Eu não teria um desgosto profundo/Se faltasse o meu time no mundo...”.



[1] As torcidas se autodenominam “nações” e a torcida do Flamengo apelidou a camisa do uniforme de seu clube de “manto sagrado”! O que nos leva a suspeitar que um caráter fascista e fundamentalista anda rondando o futebol...




Responsório de um primata


Por unTroglodita


Tadeu, excelente texto, muito boa apresentação do seu sentimento. Não sei por onde começar, mas gostaria de ir logo na questão da filosofia. Para que serve? Meu ponto de vista? Para o Estado, a filosofia não serve para nada!, pois ela serve para a compreensão de tudo, de todos e do todo. Portanto, ela é perigosa; muito pior do que o veneno da cobra cascavel.


Não sei se vocês acompanharam o jogo beneficiente do Zico, em dezembro último. Conseguiu reunir mais de 70 mil no maraca. Simplesmente um jogo beneficiente! Lá estavam em campo estrelas da bola, craques de verdade; diferente dos craques de propaganda de hoje, ao habitar a nossa amarelilha.


Sempre assisto este jogo, que já virou calendário e referência do gênero em todo final de ano.


O que teve de mais fantástico, deveria ser regra - de agora em diante - dentro e fora das quatro linhas.


Zico e Romário: dois gênios, craques de verdade, seleram a Paz, em nome da fraternidade! Achei o máximo ver depoimentos de tricolores, vestindo sua camisa e acompanhado do filho menor, bem pequeno, dizer que os jogadores que estariam em campo, não perteciam mais ao Flamengo: eles eram um patrimônio da história do futebol, pois transcendem cores e bandeiras. Achei lindo e emocionante ver depoimentos deste tipo saindo da boca dos maiores rivais do mengão.


Alguns de vocês conhecem a história que envolveu Robeto “Dinamite” e o Júnior “Capacete” ou “Maestro”? Eles eram rivais em campos e tinham uma mútua antipatia um pelo outro, sabiam? Mas tudo mudou quando ambos se conhecerem de verdade. Hoje, são amigos!


Onde estou querendo chegar?


Minha relação com o futebol, hoje, é construtiva! Lógico que brinco, mando filmes, como enviei para o Tadeu, mas acima de tudo, com respeito. No entanto, não é isso o que quero dizer...


A postura das quatro maiores torcidas do Rio, como vimos na fase final do Brasileirão Séria A e B, foi exemplar! Não vou afirmar, mas alguma coisa está mudando no comportamento da maioria, a começar pela eliminação de qualquer descontentamento e atritos do passado, como os que ocorreram entre Zico e Romário. Gosto, adoro ver futebol, sim! Vejo pelo prazer de encontrar momentos, raros, é claro, de arte ainda existente. Vejo não só o futebol, mas o esporte, como um veículo de união, jamais de destruição, como o Tadeu bem mostrou.


Quando o mengão sagrou-se pentatri, eu enviei uma mensagem, sempre criativa e zoativa, para a irmã da minha ex. Fiquei impressionado com a revolta e a agressividade, pois em momento algum eu ofendo ou me ponho com uma postura agressiva - jamais! Lembrei-me, então, quando o sobrinho dela, em seu Orkut , tinha uma comunidade dizendo...”Eu odeio o Flamengo, e etc.” Hoje, eu não odeio time ou torcida alguma. Torço para o Flamengo, mas torci, do mesmo modo, para todos os times do Rio, pois entendo, hoje, que somente assim é possível criar paz e mais paz entre as torcidas, totalmente cheias de bandidos e marginais fascistas; embora este grupo seja minoritário. Mesmo assim, são deletérios e devem ser rejeitados e punidos da forma mais legal e rigorosa.


Mas por que punir somente estes vagabundos? E os marginais fundamentalistas que estão no Congresso, nos ministérios e nas Câmaras Municipais espalhadas pelo país? Todos devem ter, inapelavelmente, o mesmo fim - e não abro mão disso!


Volto a pergunta do autor...Para o que serve a filosofia? Não serve para porra alguma enquanto todos estiverem torcendo unicamente para si mesmos, se esquecendo que existe um todo onde todos somos habitantes e partícipes.


Nunca um time sofreu tanto nas mãos de um rival como Flamengo durante a gerção que começou com o Mane Garrincha e se estendeu, depois, até Jairzinho e Gérson. Citei apenas alguns nomes, pois estas duas gerações botafoguenses dariam para fazer, tranquilamente, duas seleções imbatíveis. Olha, já esqueci de dizer, de citar o nome do PC, o Paulo Cesar Lima, o Paulo Cesar “Caju”. Nos anos 70, eu tinha medo de ir ao maraca, quando o jogo era contra o Botafogo, sabia?


E vocês, não tem medo do “DECRETO No - 7.037, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2009” , já exposto no “PNDH3 2009 – Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República”? Não? Se você não tem medo, ou é um imbecil funcional; ou, pior ainda, é apenas um participante inútil dentro deste jogo, onde só entra em campo quem pensa.


Não adianta a filosofia, se você sabe ler, escrever, mas continua cego, surdo e mudo ao que está acontecendo no Brasil, ao que está em andamento em nossa pátria. Ah, você acha careta falar de pátria? Mas acha normal estes chutes e caneladas pelas costas que estão dando lá do Planalto em todos nós, através do DECRETO No - 7.037, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2009?


Neste jogo sórdido, não há juiz, pois tiranias destroem, o mais rápido possível, os juízes e seus auxiliares. Sem eles, sem Cortes, não há para onde correr ou recorrer, sabia? Ah, você é torcedor? Ok!, você acha que haverá jogo, de acordo com este decreto?


Não! Com este gente, um conluio, uma súcia de sociopatas, não há jogo. No máximo, você poderá ficar na arquibancada, torcendo por um único time: o deles. O time da improbidade, da imoralidade e da destruição de tudo o que há de bom é construtivo no Estado de Direito.


Parabéns, Tadeu, pela lucidez!

Abraços.

Feliz Ano Novo, Feliz 2010 para todos.

Saudações rubro-negras!!!!!

Excelente final de semana.

Fiquem com Deus,


MB P.S.: Minha banderia do Flameng ficara hasteada em minha janela — para visitação pública — até a quarta-feira de cinzas, quando a Portela será declarada Campeã do Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro em 2010. A minha camisa do mengão, também está exposta no meu quarto. Rumo ao Tetra! Só se for agora!





Um comentário:

Marcelo Bichara disse...

Acredito que a questão aqui não seja o futebol em si, mas a própria noção de esporte entendido institucionalmente a partir de um princípio de competitividade. O que sempre me interessou em qualquer esporte foi, não a competição em si, mas justamente a capacidade dos corpos de se expressarem e se associarem entre si, como muito bem mencionado no texto – a inteligência coletiva do troque de passes! Se o esporte fosse somente entendido pela ótica expressiva e associativa, isto é, esteticamente, como uma forma de arte, não teríamos problemas desse tipo. Mas, assim como ocorre na arte e no pensamento, no momento em que duas diferenças são postas em oposição, a dialética sempre operará por negação. Esporte é a arte posta em duelo, é qualquer forma de expressão na qual se adere um valor específico, numérico e monetário, é a dança transformada em produto etiquetado.