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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Perversão Ética

(Cosmofilia)

Nelson Job





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"Tempestade" Fayga Ostrower

O perverso ético é uma necessidade em um mundo-marasmo. É uma acontecência nas lacunas do politicamente correto. É um clamor etimológico para se mudar os versos, cultivando a Ética, mas não necessariamente a rima. O perverso ético é o artesão do multi-verso, do cosmos.


O perverso ético brinca. Como as crianças e com as crianças. Destaca a criança possível nas relações - até no envelhecido - quando é pleno ato de brincar.


O perverso ético não vota, articula o consenso. O perverso ético não negocia com o poder. Abdica do poder. Coabita vários níveis de realidade, níveis diferentes, mas não hierarquizados, porém, interrelacionados, fractais.


O perverso ético não se filia, não se hierarquiza: ressoa. Ressoa com, com-vida o que há de mais belo, de mais produtivo, de mais alegre. O perverso ético é, então, um com-vidador!


O perverso ético é intolerante com toda forma de fascismo. Da histeria, extrai o relacionalismo possível. Da dor, a profundidade. Da verdade, as perspectivas. Da natureza, a mais pura diferenciação. Com a realidade, desrealiza.


O perverso ético se rir, busca a gargalhada. Se preocupa com uma suposta extinção da gargalhada, com a profusão dos sorrisos amarelos. O perverso ético declara guerra à hipocrisia, acreditando que dela vem todos os males, a doença. Que o consenso seja em gargalhada!


O perverso ético alimenta o pensamento. Com autores, com conceitos, com ousadia. O pensamento serve não ao perverso ético, mas ao ato coletivo - que transpassa - de perversão ética. O pensamento que atravessa, que, é claro, trans-versa. Que agencia. Que co-move.


O perverso ético é místico. No sentido da experiência mística, de ir além do eu, contemplando-sendo o cosmos. É místico ao ganhar velocidade, ao perder densidade, ao apreender a coexistência da multiplicidade espaço-temporal multidimensional: o perverso ético acaba com o estatuto do impossível, desdobra, multiplica os possíveis.


O perverso ético copula, menos com os gêneros e as formas e mais com a alteridade, com o prazer. Na relação, sendo relação. Com, sobretudo, a Ética, na Ética, engendrando mais e mais Ética: o melhor possível no e para o cosmos. O perverso ético “sofre”, goza de pansexualismo cósmico: cosmofilia!


O perverso ético promove a festa, celebra. Em vários estilos, com muitas músicas, desde que tenham sido compostas com as vísceras. Se entorpece, de diversas formas não destrutivas, sobretudo se entorpece de emoções, das artes (poesia, beleza, movimento: torpor), de amor: ao próximo, ao distante, ao cosmos, sobretudo ao ressoante. E dança: no ritmo das vibrações cósmicas!


O perverso ético, sobretudo, não se guia por estas linhas para agir. Improvisa. Cria. Muda. Sabe que o sentido da vida é criar o sentido vital, com a vida, para vida, na vida. Na axiomatização, subverte. Na nomeação, poetiza. É e não é inconstantemente impermanente. Em quaisquer existências, busca-se: além. O perverso ético é o mais pleno agente do devir!



Neha Dhupia



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