CO(S)MICIDADES: dia 15/10/16, sábado, de 10 às 18:00 (Rua Barão de Guaratiba, 29, Glória)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Transistória (Intimidade Cósmica)

Nelson Job (e os cosmos)


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Era uma vez, as coisas. Muitas coisas, então, mais ainda. Elas se chocaram e se chocaram e formaram outras coisas maiores, que se chocavam e formaram coisas maiores ainda e menores. Essa mania continuou.


Algumas formações se tornaram mais dinâmicas, com a ajuda das sobras de formações distantes, as estrelas. Houve lugares, houve vida. Houve animais. Houve humanos. E então, houve o Tempo nos tempos.


Os humanos eram mesclados a todas as outras formações, que já eram mescladas entre si. Sentiam-se pertencentes, mas queriam mais. Uns sobrepujaram outros, controlavam outros. Houve líderes. Muitos líderes eram idolatrados, pois se acreditava que esses líderes queriam o melhor para todos, mas em última instância, queriam o melhor para si. Líderes foram derrubados por outros líderes, e assim continua. Os humanos foram se desconectando com as coisas, criando a palavra; se tornando sós no mundo, dando nomes a ele. A solidão lhes obrigou a criarem mais e mais idéias e outras coisas, acreditando que essas outras coisas não estavam inscritas no jeito cósmico, mas apenas nos deles. E esqueceram do cosmos nomeando deuses.


Manipularam o fogo, o metal, a água. Plantaram, desplantaram. Aprisionaram os animais, a si mesmos. Se embriagaram da noite, depois da terra e seus frutos, que proibiram, em prol dos frutos que eles achavam terem “criados” sozinhos, sem o auxílio cósmico. Viciaram-se em qualquer coisa que lhe lembravam a intimidade com o cosmos. Depois, em função da rotina, esqueciam, até o vício cravar de novo. A intimidade com o cosmos: tentada e suprimida, balé de horror e amor. Os humanos se separavam das coisas. Criaram História: guerras, nações, igrejas, escolas, conceitos. Tentativas quase vãs de lembrar o óbvio.


Os sons cósmicos foram traduzidos por eles: música. Acham que a música é de quem a toca pela primeira vez. Fizeram-se autores. Isolaram a imagem, produziam imagens, colocaram a imagem em movimento: a fábrica das ilusões. Choraram por si, riram por si, chacinaram por si.


Então, os humanos sentiram saudade de si, de si enquanto cosmos. Olhavam do abismo, o anoitecer, e em si, a aurora. Revezamento. "É tarde demais? Lembramos do cosmos, podemos nos re-unir com ele?"


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