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sábado, 5 de março de 2011

A Ontologia Onírica em Devir Pós-Natureza (Nelson Job)





“a insanidade do controle humano sobre o inato é a insanidade inerente ao próprio controle”
Roy Wagner

As relações entre magia, filosofia e ciências são muitas e antigas. Uma certa História e uma certa visão de ciência – de como se faz e se pensa a ciência – predominou e limitou o pensamento às suas amarras disciplinares. Porém, “amarras disciplinares” não foram a tônica dos grandes pensadores e cientistas da história. Justo o contrário, essas mentes que revolucionaram nosso pensamento e nosso modo de viver tinham grande abertura em seus interesses e não se intimidavam diante do cerco ideológico dos seus tempos. Aqui emerge conceitos de relações de forças que ao longo do tempo - e atemporalmente - ousaram pensar o impensável, escrever o indescritível e, sobretudo, criar.

Vamos, a princípio, mostrar os autores e suas obras, desde a tensão grega entre mito e filosofia, passando para o advento do Hermetismo, avatar da magia ocidental, culminando na Física Moderna.

Primórdios da Filosofia
Todo início é provisório e contextual. Iniciar uma história do pensamento concernente ao nosso tema na Grécia Antiga e seus entornos significa que por ela transitam processos relevantes, mas os seus “entornos” incluem o Egito, a Babilônia, a Suméria etc.

Com Tales de Mileto (aproximadamente 625-556 a.C.) (KIRK, RAVEN e SCHOFIELD - 1994) tem-se o advento da filosofia grega. Como é uma transição - recém-saída de uma forma de ver o mundo considerada ingênua, refletida nas obras de Homero e Hesíodo – a filosofia de Tales tem muitos aspectos religiosos-míticos, como na postulação que tudo devém da água, uma força vital divina. Mas o fato de ser o maior geômetra grego e de ter previsto o eclipse de 585 a.C., o tornou um grande filósofo. Aqui já se evidencia que nos primórdios da filosofia ocidental, já havia uma relação intensiva entre religiosidade, filosofia e os alicerces da ciência.

Porém, o grande nome entre os pré-socráticos que ressoa nosso tema é Pitágoras de Samos (aproximadamente 571-496 a.C.). Conhecido pelo famoso teorema que leva seu nome, Pitágoras também tinha considerações peculiares sobre os números, que causam ainda debates sobre as características de tais considerações. O pitagorismo afirma que os números são o ínfimo do cosmos, mas a questão é se essa relação é imanente (o universo se constitui de números) ou é apenas uma aproximação. Sobre isso, o filósofo Henri Bergson afirma: “Parece provável que, nos pitagóricos, tenha se estabelecido uma confusão entre simples semelhança e a identidade”. Pitágoras também pregava a transmigração de almas, dizendo que o corpo é uma prisão da alma; é possível que seja o criador do conceito de mônada (um), a menor parte do universo, e, além disso, tinha seus estudos sobre música.

Acreditamos que a tal “confusão” que Bergson nomeia entre os pitagóricos é apenas um germe de uma problemática das relações entre mundo e matemática, que ainda vai ser mais relevante no decorrer de nossas reflexões.

Vamos agora dar um salto na história rumo ao início do neoplatonismo com o egípcio Plotino (205-270 d.C.). Plotino (2008) altera a concepção da transcendência platônica, considerando-a inseparável de uma imanência. Ele é o primeiro grande filósofo do êxtase: segundo seu seguidor e biógrafo Porfírio, ele ascendeu ao Uno [1] cerca de quatro vezes, e, a partir dessas experiências, escrevia as “Enéadas”. A concepção plotiniana de contemplação é deveras relevante: une-se sujeito e objeto, Uno e múltiplo, pois o universo observa a si próprio. Bergson (2005), um dos grandes comentaristas de Plotino, comenta que a concepção de consciência plotiniana é totalmente adversa da versão moderna. Adquirir consciência, para Plotino, é se afastar do divino, é uma perda, pois é na inconsciência que se quer chegar, ao Uno. Consciência é exterioridade, é dispensável, instabilidade: é permanecer fora daquilo que se apreende.


Magia
O pensamento de Plotino é a evidência de que é chegado o momento de “entrarmos” no Hermetismo, mas antes, vamos estabelecer uma noção provisória de magia, de acordo com o antropólogo Marcel Mauss (2003).

Segundo o antropólogo, a magia é a arte das mudanças, diferindo da religião por ser um ato provado, sem culto e sem metafísica, se dedicando ao concreto, o que a aproxima da ciência, ou melhor, sendo a ciência por nascer. Mauss vai eleger o conceito melanésio de mana para exemplificar a magia: “o mana não é simplesmente uma força, um ser, é também uma ação, uma qualidade e um estado. Em outros termos, a palavra é ao mesmo tempo um substantivo, um adjetivo, um verbo (...) trata-se de uma força espiritual, isto é, não age mecanicamente e produz seus efeitos à distância. – o mana é a força dos mágicos”.

Sendo assim, vamos agora nos dedicar à magia egípcio-grega: o Hermetismo é difícil de situar historicamente, em consequência, se torna complexa a precisão do advento de seus principais conceitos. Segundo o médico britânico, coronel, maçom e um dos fundadores da Ordem Hermética da Aurora Dourada [2], William Wescott (2003) e o terapeuta, secretário do controverso Aleister Crowley e membro da Aurora Dourada, Francis Regardie (2008), o hermetismo surgiu no período helenístico (323-147 a.C.) baseados em preceitos do Antigo Egito, especificamente, os do deus Thoth, uma divindade lunar que tem a seu cargo a sabedoria, escrita, aprendizagem, magia, medição do tempo etc. Do hermetismo originaram-se a alquimia e astrologia. Para a historiadora Frances Yates (1964), os textos herméticos iniciam no século II ou III d.C. e não na remota antiguidade, como também os magos da Renascença acreditavam. Dentre estes textos, se destacam as “Enéadas” de Plotino.

O hermetismo recebe essa alcunha em função da figura de Hermes Trismegisto. Yates afirma que ele não existiu, já os textos alquímicos medievais colocam o advento de Trismegisto no mais tardar em 1800 a.C. no Antigo Egito. Sua figura se confundiria com o deus Toth, ora aparecendo como o próprio, ora como seu principal seguidor e difusor.

Modernamente, organiza-se os princípios básicos do Hermetismo em sete:
Mentalismo – Tudo é mente e a matéria é força mental coagulada.
Vibração – Tudo está em movimento, tudo se move, tudo vibra.
Ritmo – Tudo tem fluxo e refluxo, um movimento para frente e para trás.
Polaridade – Tudo tem o seu oposto que é, na verdade, o extremo de uma mesma coisa; tudo tem o seu duplo, que são diferentes em grau, mas os mesmos em natureza.
Correspondência – O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima. Existem três grandes planos: o físico (matéria, substância etérea e energia), o mental (mineral, elemental, vegetal, animal e hominal) e o espiritual, sendo que os sete princípios se encontram em todos eles.
Causa e Efeito – Toda a causa tem o seu efeito. Os estudiosos do hermetismo conhecem os métodos da elevação mental a um plano superior, onde se tornam apenas causadores, e não efeitos.
Gênero – Tudo tem o seu masculino e o seu feminino, e eles se engendram.
O Hermetismo obteve sua maior popularidade na Idade Média. Apesar do cristianismo ter se mesclado inicialmente ao Hermetismo, na Inquisição, todo tipo de paganismo foi entendido como heresia pela Igreja, sendo seus praticantes convertidos ou condenados. A ciência - que também inicialmente possuía íntimas relações com o pensamento hermético - com o seu avanço, foi abandonando-o gradativamente.


Magia e Ciência
Vamos agora relacionar alguns cientistas que se alimentaram do Hermetismo para compor a sua obra:
Theophrastus Paracelsus (1493-1541) foi um médico alquimista suíço, muito crítico da medicina de sua época. Segundo o ex-editor da “Nature”, Philip Ball (2009), a concepção de medicina e filosofia de Paracelso baseava-se nos Hermetismo e neoplatonismo. Paracelso estudava a natureza para entender o corpo, o que revelava, com tais relações de micro e macro, a presença do Princípio de Correspondência do hermetismo.

Paracelso acreditava nos arcanos, incorpóreos eternos que tem o poder de transmutar os doentes. Esses arcanos combatiam doenças de calor com calor, frio com frio etc., o que veio, posteriormente, a influenciar os homeopatas, da máxima “similar cura similar”.

Com o advento do oxigênio de Lavoisier e sua química, diminuiu-se a influência de Paracelso. Ball discute o mito de que essa “nova” química seria anti-Paracelso. De acordo com o autor, poderíamos supor que ele aplaudiria a descoberta do oxigênio. A grande perda da química é seu afastamento da filosofia, é o fato dela ter se tornado uma disciplina isolada, paradigma comum no Iluminismo. Paracelso ainda influenciaria a sinfilosofia dos Primeiros Românticos Alemães.

Giordano Bruno (1548-1600) foi um polêmico frade dominicano italiano, teólogo, filósofo e astrônomo, morto pela Inquisição. Influenciado pelo hermetismo e pelo neoplatonismo, era divulgador da arte da memória, uma técnica mágica de memorização.

Bruno (2008) afirmava no “Tratado da Magia”: “mago designa um homem que alia o saber ao poder de agir”. Yates (1964) chama atenção para o fato de que o cálculo e a experimentação diferenciavam os magos renascentistas dos gregos antigos e teólogos da Idade Média e que essa disposição de homens como Bruno foi o germe que tornou a ciência tão poderosa. Nesse sentido, recuperamos algo de pitagórico nesses autores.

Giordano Bruno conceberia filosoficamente um universo mutante, anímico, infinito e descentrado; sendo que as duas últimas características foram sustentadas pouco depois por Galileu Galilei. Esse último possuía diplomacia com a Igreja, diferente de Bruno, pois suas idéias pagãs e suas peças debochadas em relação à Igreja o levaram a fogueira em Roma, depois de um cruel processo de julgamento. O historiador da ciência Alexandre Koyré (1979) escreve: “foi Bruno quem pela primeira vez nos apresentou o delineamento, ou o esboço, da cosmologia que se tornou dominante nos últimos dois séculos”.

Johannes Kepler (1571-1630) foi astrônomo, astrólogo e matemático alemão, que formulou leis da mecânica celeste que viriam ser muito importantes para a física newtoniana. Segundo o teólogo, ex-padre e especialista em geociência James Connor (2005), Kepler obteve grande fama como matemático imperial e como astrólogo, fazendo certeiras previsões, recebendo durante certo tempo a alcunha de profeta. Porém, ele sempre foi ambíguo em relação à astrologia, mas achava-a importante para apurar a astronomia. Sua mecânica foi decisiva para engendrar a de Newton, que tirou a importância da astrologia, relegando-a a guetos.

Kepler obviamente sofreu influência do hermetismo, citando Hermes Trismegisto em sua “Harmonia do Mundo” (YATES-1964), mas se diferenciando dos esotéricos fraudulentos que tembém citavam textos herméticos. A concepção kepleriana de harmonia era um misto de música, astronomia e, principalmente, geometria. Para ele, a harmonia - uma categoria primária da existência que permitia a experiência do mundo - oferecia acesso à mente de Deus.

Devido à sua peculiar fé luterana, Kepler negou, em sua obra, a concepção de universo infinito de Giordano Bruno e Galileu, utilizando-se de argumentos aristotélicos.

Sua mãe, Katharina – que era dada a costumes pagãos, fazendo poções de curas com ervas, mas não era propriamente uma bruxa – foi condenada e presa pela Inquisição já em idade avançada. Os esforços de Kepler permitiram uma soltura tardia, mas logo após, Katharina faleceu.

Isaac Newton (1643-1727) foi físico, matemático, astrônomo, alquimista e teólogo. Segundo a historiadora Betty Dobbs (1984), Newton se dedicou principalmente aos estudos da alquimia que foi a principal inspiração para o seu conceito de “força”. É conhecido o discurso de Keynes (2002) dizendo que Newton não foi o primeiro homem da idade da razão, foi o último dos magos.

Na primeira edição do “Principia”, Newton explicitava a sua crença na transmutação da matéria. Com o advento de sua “Óptica”, ele retirou a afirmação do “Principia”, ficando apenas na primeira, considerada obra menor. Se Koyré acredita que Newton deixou de acreditar na transmutação, Dobbs afirmaria que ela está subentendida na obra-prima de Newton. Koyré (2002) faria ainda uma crítica ao legado de Newton; ele teria posto o “movimento absoluto” no lugar do devir, gerando uma espécie de mudança sem mudança, separando o mundo em dois: o da quantidade, que seria o mundo da ciência e da qualidade, do nosso mundo percebido e experimentado.

Essa separação, acreditamos, tem seu germe na “confusão” pitagórica sugerida por Bergson e culmina na separação entre ciências e humanidades, “as duas culturas”.

Caberia a questão se Newton seria “newtoniano”: não, se alimentarmos a hipótese que Newton realmente acreditava na transmutação da matéria. Assim, Einstein e sua Teoria da Relatividade - que equivaleria matéria e energia - não apontariam um “acréscimo” em relação à física de Newton, mas recuperaria e desdobraria o Newton oculto. A Teoria da Relatividade é a ciência hermética da transmutação. O Hermetismo presente na obra de Newton põe em dúvida se ele acreditaria realmente no espaço absoluto, ou a postulação deste foi uma concessão para o seu pensamento ter mais alcance.

Os físicos pós-newtonianos que analisaremos aqui, não citam o Hermetismo como referência, mas têm suas relações com aspectos místicos.

Heisenberg (2008) acreditava em uma “ordem central”, uno, alma. “Verdade”, para ele, se relaciona com a experiência religiosa e, além disso, o físico criticava o preconceito em relação ao misticismo.

As concepções de Wolfgang Pauli merecem destaque. Acreditava que não havia separação entre ciência e religião. Devido a problema a separação da esposa, morte do pai e alcoolismo, fez terapia com Von Franz que cujas sessões eram supervisionadas por Jung, que se tornou amigo de Pauli. Nas cartas entre Pauli e Jung (2001) era claro o entusiasmo do físico pelos textos sagrados hindus “Upanixades” - assim como Schrödinger (1977) - e por uma psicologia quântica. Eles desenvolveram o conceito junguiano de sincronicidade, apesar de não falarem do emaranhamento quântico (conceituado no item “Diferença Emaranhada”) – provavelmente pelo fato de Pauli ter falecido em 1958, e as propostas de Bell e Aspect (que popularizaram e deram consistência científica ao emaranhamento) se deram depois, nos anos 60 e 80, respectivamente.

Bohr (2000), Heisenberg e Pauli (em níveis crescentes de entusiasmo) citavam o Taoísmo como uma referência que poderia ressoar com a física quântica. Nas correspondências com Pauli, Jung – que chega a equivaler o átomo quântico com o inconsciente - compara o yin/yang com a dualidade onda/partícula.

Espinozismo e Diferença
Com Spinoza (2008), no século XVII, alcançamos uma outra etapa na filosofia, ou, como diria Marilena Chauí (2000), um processo de “demolição” da filosofia vigente, pois o filósofo possui as influências do hermetismo, Plotino, Kepler, entre os citados, mas também do Oriente, reproduz os experimentos de Boyle em casa, produzindo sua “Ética” como um livro congruente em forma e conteúdo com o seu pensamento, pois lhe são imanentes a filosofia, o misticismo conjuntamente com uma muito particular teologia e também a ciência, principalmente a geometria, como explicita o próprio título: “Ética – demonstrada segunda a ordem geométrica”.

Nesse tratado transdisciplinar, Deus se equivale à mente e a substância: imanência. Spinoza enumera três gêneros de conhecimento: opinião ou imaginação – que leva ao falso – razão e conhecimento (noções comuns e idéias adequadas das propriedades das coisas) e ciência intuitiva: através dela Deus ama a si mesmo que é o amor intelectual da mente para com Deus. O espinozismo conclama a intuição como a capacidade única de apreender a imanência, com isso, chega-se à liberdade, aumento de potência, alegria.
Também no século XVII temos a filosofia de Gottfried Leibniz (1646-1716), que possuía influência do Hermetismo e um diálogo profícuo com Spinoza (depois negado). Leibniz (NEWTON-LEIBNIZ – 1983) sistematizou o conceito de mônada: feita de substância simples, sem partes, que não teme a dissolução, nem começa naturalmente, ou seja, apenas se recombina. As mônadas são totalmente fechadas, “sem janelas”, sendo todas diferentes entre si, cada uma mudando continuamente, a partir de um princípio interno. Leibniz, criticando os cartesianos, observa que, apesar das mônadas não terem partes, possuem uma multiplicidade, pois na mudança gradativa algo muda (percepção – que é inexplicável por razões mecânicas) e algo permanece. São também um espelho vivo e perpétuo do universo e o que acontece em uma, o universo inteiro se ressente. As mônadas possuem apercepção, o que remete a monadologia rumo a uma espécie de animismo. Este texto de Leibniz é monádico em forma e conteúdo, pois é composto de 90 fragmentos, cada um deles trazendo uma característica sobre as mônadas. São “mônadas” falando sobre mônadas.

Na virada do século XIX para o XX temos a filosofia de Bergson [1859 – 1941] (1999) que desenvolve o famoso conceito de virtual, reunindo vários elementos conflitantes da filosofia, como a problemática da dualidade de transcendência-imanência, resolvida a luz da imanência. Podemos entender o virtual como um energitismo, ou seja, no virtual a energia vai perdendo densidade até chegar em um estado de zero positivo, ou seja, ainda matéria, sem transcendência. No virtual, temos toda a memória ontologicamente (ou seja, a memória como equivalente ao tempo, sendo o virtual a coexistência de um tempo único, coexistente com todos os tempos individuais, da consciência) e no atual adquire-se densidade, em uma duração linear. No cone, o mais denso é menos veloz e o menos denso é mais veloz. Toda essa semelhança com a Teoria da Relatividade de Einstein foi discutida pessoalmente entre ambos, o que resultou no livro de Bergson (2006) sobre a Relatividade: “Duração e Simultaneidade”. O intensivo é a passagem do atual ao virtual e vice-versa, como observamos no cone:

O cone virtual AB através do intensivo S toca no plano P

O cérebro faz as passagens do virtual ao atual evocando a memória, como em uma central telefônica (diríamos hoje: o cérebro como uma espécie de Google), desencontrando de toda a neurociência atual, que insiste que toda a memória está no cérebro.

Sobretudo os espinozismo e o bergsonismo e, em menor importância, Leibniz, são componentes da Filosofia da Diferença, assim cunhada pelo filósofo Gilles Deleuze (1925-1995). Deleuze (2006) define a Filosofia da Diferença: pretende-se “tirar a diferença de seu estado de maldição”; não mais subordinar a diferença à oposição, analogia, semelhança, negação, identidade, ou seja, todos os aspectos da mediação e da representação – assim chegamos à diferença pura. Não é inscrever a diferença no conceito em geral. A diferença é afirmação. A filosofia da diferença não tem pressupostos, é um pensamento sem imagem. Não é uma questão de dado, e sim, de como o dado é dado. O processual é uma tônica extremamente relevante, assim como o conceito de devir, concebido aqui como uma inconstância sem suporte, onde o ser é devir contra-natureza, em que diferença vai diferindo de si.

Manuel Delanda, filósofo contemporâneo, organizou toda a obra conceitual de Deleuze em seus “sete itens do simulacro” (para maiores detalhes da Filosofia da Diferença, ver "Devires"). A seguir:


Lista Ontológica de Deleuze:


Virtual:
1) Plano de Imanência- (o conjunto de todos os) Corpos sem Órgãos: como a “substância” de Spinoza, mas sem as características de “eterno”, a diferença pura, a velocidade infinita, onde tudo é totalmente livre. O plano coexiste com o caos e não pode ser pensado sem ele. Coexistência de vários planos, sem eliminar o antes e o depois, “o” plano que unifica todos seria o espinozista (substância).

2) Multiplicidades- entendida como substantivo, não como atributo ou adjetivo. Diferença de diferença produzindo divergência e descentramento. Aqui as forças pululam, mas não têm sentido definido.


3) Máquinas abstratas- é o que assegura a comunicação das séries divergentes; é uma criação entre o rígido e o excessivamente livre. Segundo Guattari (1988): “Nem a idéia platônica transcendente, nem a forma aristotélica adjacente a uma matéria amorfa, estas interações desterritorializadas, abstratas ou, mais resumidamente, estas máquinas abstratas, atravessam diversos níveis de realidade, fazem e desfazem estratificações. Não se agarra a um tempo único universal, mas a um plano de consistência, trans-espacial e trans-temporal, que afeta um coeficiente relativo de existência.” Aqui as forças começam a se auto-organizar, formando atratores.


Intensivo:
4) Ressonância- movimentos forçados e ligação mutuamente estimulada. Para Delanda, é também o que alguns cientistas chamam de campo morfogenético: um catalizador, o momento da convergência. Para Gilbert Simondon (2007), o indivíduo em estado pré-individual engendra forças compondo uma individuação nem a priori e nem a posteriori, mas processual, além de afirmar que a individuação já evidencia, simultaneamente, o indivíduo e o seu meio, em ressonância interna em ordens diferentes, com um sistema em um processo em que o indivíduo é uma etapa e não um "fim em si". Substituindo "forma" por informação, Simondon afirma que não nos é possível "conhecer" a individuação, mas apenas individuar.

5) Mônadas-: Desenvolvida por Deleuze a partir de Leibniz, as mônadas ganham abertura em um andar inferior, relevando seus contornos barrocos. Não podemos perder de vista que este conceito é sobreposto ao de auto-organização, como veremos, para além do vivente, consideramos auto-organizáveis.


Atual:
6) Molecular e molar- extensões e qualidades; célula e espécie: na passagem para o atual, em Deleuze, existe uma dupla articulação que é simultaneamente da ordem da qualidade e da extensão – produz-se, por exemplo, a singularidade de um dado organismo, mas dentro de sua espécie. Coexistência de organizações diferentes em um mesmo contexto.


7) Centro de Envolvimento- acréscimo de complexidade dos seres vivos (Deleuze ainda desdobraria esse conceito para o peculiar vida não-orgânica, tangenciando um animismo [3].): o desdobramento físico-químico, orgânico e “cultural” sem envolver um evolucionismo teleológico .


Munidos desses conceitos, podemos estabelecer um diálogo com toda a Filosofia da Diferença, devidamente articulados com os vários autores que Deleuze se utilizou ao compô-la. A filosofia nos serve de interface, de diplomata entre os Princípios do Hermetismo e alguns dos principais conceitos da Física Moderna. Como podemos observar, existe uma sobreposição dos sete Princípios e dos sete Itens Ontológicos de Deleuze. Não que essas relações sejam surpresa. Já sabemos da influência hermética de Spinoza e Leibniz. Já Bergson [4], possui uma predileção por Plotino, tem a espiritualidade como tema constante ao longo de sua obra, como “A Energia Espiritual” e “As Duas Fontes da Moral e da Religião”. Deleuze (1997) faz seu elogio ao paganismo, em detrimento ao cristianismo. Também os autores contemporâneos ligados à magia (LEE-2002) observam semelhanças de suas práticas com os conceitos deleuzianos [5].


Vamos agora articular com a física.


Diferença Emaranhada
Estabelecer relações entre a Mecânica Quântica e os autores que Deleuze se utiliza em sua filosofia da diferença está longe de ser novidade. Heisenberg (1999), já dizia sobre a filosofia de Heráclito: “Se substituirmos a palavra fogo por energia, poderemos quase repetir suas afirmações palavra por palavra, segundo nosso ponto de vista moderno” e “A comparação, muito antiga, entre um ser vivo e uma chama demonstra claramente que os organismos vivos, tal como a chama, constituem uma forma por meio da qual, de certa forma, a matéria flui.” (HEISENBERG – 2008). Bergson (2006) também observou uma potência no advento da física quântica, ainda em 1934: “De fato, as grandes descobertas teóricas desses últimos anos levaram os físicos a supor uma espécie de fusão entre onda e corpúsculo – diríamos entre substância e movimento.” Merleau-Ponty (2000) já dizia que a física clássica é sem devir, pois cada elemento tem o seu lugar objetivo e que a física se tornou bergsoniana com o advento da Mecânica Quântica. E, finalmente, Prigogine e Stengers (1984): “A história da mecânica quântica, como a de todas as inovações conceituais, é uma história complexa e cheia de imprevistos, a história de uma lógica cujas implicações são descobertas depois que ela própria foi produzida na urgência do diálogo experimental. Não podemos descrever aqui esta história, mas sublinhar apenas a maneira inesperada como ela participa na convergência que, atualmente, tem como resultado renovar a dinâmica e construir a ponte entre essa ciência do ser e o mundo do devir”.


Arkady Plonitsky (2006) faz uma interessante relação entre o virtual que Deleuze desdobra a partir de Bergson e Teoria Quântica de Campos: o virtual como campo quântico, o intensivo como colapso de onda e a partícula como o atual. Em outras palavras: assim como a partícula é o “coágulo” (para usar um termo hermético) do campo, o atual seria o “coágulo” do virtual.
Uma questão seria o Plano de Imanência, o “topo” do cone do virtual. Como localizar um “zero positivo” na ciência? O conceito de vazio quântico (GREENE-2005) nos serve ao menos provisoriamente, pois seria um vazio “pleno”, em que características quânticas apareceriam subitamente, preenchendo-o de alguma forma. O Princípio do Mentalismo é claro na Imanência, pois este é a equivalência espinosista de mente e substância. A matéria que coagula desse mental seria todos os itens a seguir, culminando nos itens do atual, matéria densa.


A multiplicidade também é um conceito com peculiaridades difíceis de se encontrar na ciência. Recorremos a uma teoria especulativa: a Teoria das Supercordas (GREENE-2005): o universo como formado de suas partículas mais ínfimas, não como ponto puntiforme, mas como cordas idênticas vibrando de forma diferente umas das outras, o que coloca o universo como uma grande orquestra em vibração. Fica evidente aqui a relação como Princípio da Vibração no Hermetismo.


A máquina abstrata é relacionada por Manuel Delanda com o conceito de atrator estranho da Teoria do Caos: O termo “atrator estranho” foi cunhado na década de 70 por Ruelle e Takens a partir de observação de redemoinhos de fluidos dentro de redemoinhos, indefinadamente, até chegar na viscosidade do fluido não se identificando mais redemoinhos (GLEICK - 1989). Os autores conseguiram transformar os números em imagens através da sua representação em gráficos de espaço de fase, fornecendo uma visualização para a turbulência: “Os pontos vagueiam tão aleatoriamente, a configuração surge tão etereamente, que é difícil lembrar que a forma é um atrator. Não é apenas uma trajetória qualquer de um sistema dinâmico. É a trajetória para a qual convergem todas as outras trajetórias. É por isso que a escolha das condições iniciais não tem importância”. O fato do atrator ter um padrão, mesmo que difícil de identificar, ganha aqui a consonância com o Princípio de Ritmo.


A ressonância é a própria versão filosófica do emaranhamento quântico, que envolve partículas em estado quântico em distâncias enormes interagindo simultaneamente sem passagem de informação, como se fossem um só sistema, mas com algumas diferenças, como o sentido dos spins. Aqui cabe a relação com o conceito de sincronicidade de Jung e Pauli. Depois dessas considerações, fica fácil entender porque Jung (1991) analisou os sonhos de Pauli e descobriu um profundo significado alquímico-hermético, aqui pronunciado pelo Princípio de Polaridade.


A mônada é o conceito mais rico e complexo para estabelecer relações. De um lado, Deleuze a relaciona com os fractais da Teoria do Caos, em função de seu aspecto auto-similar. De outro, Stuart Hameroff (2002) relaciona-o com o colapso de onda em sua versão penrosiana, ou seja, de uma Redução Objetiva da função de onda realizada por uma ainda hipotética gravidade quântica. (ver texto “Diferenças Emaranhadas”) Relacionar a mônada com um conceito oriundo da Teoria do Caos e outro oriundo da Mecânica Quântica parece um contrassenso, mas já existe uma especulação bem fundamentada chamada Triangulação Dinâmica Causal (AMBJORN, JURKIEWICZ, LOLL – 2008) que sugere uma auto-similaridade fractal no nível quântico da matéria, também relacionado com a gravidade quântica. Se a filosofia deleuziana sugere uma ontologia fractal, também o faz a cosmologia fractal de Luciano Petronero (GEFTER-2007). Já os próprios autores herméticos contemporâneos (CLANTON-1997) assumem a relação dos fractais com o Princípio da Correspondência.


Os conceitos de molar e molecular são mais óbvios, pois estes foram inspirados nos conceitos da química. Aqui consideramos todas as partículas não-elementares, formando nosso mundo macro. Também fica claro a relação com o Princípio de Causa e Efeito, pois estamos aqui lidando com o nível macro, onde podemos estabelecer relações lineares. Porém, no Hermetismo, todas as causas anteriores, de milênios, culminam no efeito atual.


O centro de envolvimento diz de uma dinâmica do universo. O físico cosmólogo Mário Novello (2010) sucita a hipótese de um universo eterno em oposição ao modelo do Big Bang. O Big Bang, hipótese majoritária, é provavelmente acolhida em função de seu convite a um início determinado do universo. O Big Bang também serve a uma mitologia cristã de um Deus criador: o precursor do conceito foi justamente criado por um padre belga, G. Lemaître, com seu modelo cosmológico do “átomo primordial”.


O modelo do universo eterno (bouncing) é, segundo Novello (2006) compatível com a filosofia de Heráclito (ou seja, devir, mais uma vez), porque é dinâmico. Novello também (1988) considera a possibilidade do universo ser governado pela bifurcação, oriunda de matemática criado por Poincaré, cujo desdobramento mais conhecido é a Teoria do Caos. Em um universo assim “as causas do mundo não estão no mundo”, pois, as mudanças acarretadas anteriormente mudam o universo de tal forma, incluindo suas leis, de maneira que não se possa re-conhecer nele seu antecedente. Devires contra-natureza…


O Princípio de Gênero debe ser entendido nestes termos como um universo misto de masculino e feminino, andrógino, que se gere, um universo grávido de si mesmo, grávido de sua nova com-formação.


Não pretendo aquí equivaler os conceitos do Hermetismo, da Filosofia da Diferença e da ciência. Seria um fracasso, à luz de um pensamento em devir, ficar igualando campos do saber. Apenas pensamos que o que discutimos aqui mostra um contínuo do conhecimento humano, e não disciplinas que não podem inter-cambiar. Quando pensamos em transdisciplinaridade, pensamos em levar esse termo rumo a uma saudável radicalidade, levando em conta saberes quase abandonados pela academia, mas que possuem relevância tanto histórica como conceitual. Com isso, gostaríamos de reafirmar, sim, profundas ressonâncias entre os sete itens no Hermetismo, na Filosofia da Diferença e nos conceitos citados da Mecânica Quântica, Teoria do Caos e nas teorias de unificação.


Rumo a uma Ontologia Onírica
Se o freudismo possui o mérito de renovar o status do sonho como fonte de conhecimento, tem o demérito de reduzí-lo ao desejo, fazendo piruetas conceituais. Jung (1961) diz misteriosamente que sonho é natureza, mas não desenvolve o tema.


O filósofo hermético Cornélio Agrippa (2008) em 1531 escreve: “Chamo de sonho, aqui, aquilo que é causado pelas influências celestiais no fantástico espírito, mente ou corpo, se estão todos bem dispostos (...) portanto, não pode haver uma regra comum para todas as interpretações de sonhos”.


O esquizoanalista Félix Guattari (2003), a partir de considerações sobre os sonhos de Kafka, propõe utilizar a “pragmática” kafkaísta do sonho na clínica, enfatizando, ao contrário das “interpretações”, os pontos de singularidade dos sonhos, onde este se torna mais surrealista, para engendrar a partir deles novas formas de existência. Assim, os sonhos não são para ser sobrecodificados, ou seja, não são para se “extrair” uma informação “por trás” de suas imagens, e sim, utilizar tais imagens para impelir a criação de novos sentidos para a vida, ou seja: creditar realidade ao sonho.


Roger Penrose e Stuart Hameroff (1996) supõem, em seu especulativo modelo de consciência quântica, que no sonho existe um baixo número de colapsos de onda (Redução Objetiva) no cérebro, em comparação com a vigília, dando ao funcionamento onírico um substrato de realidade. O que gera questões do tipo, “que relações o sonho tem com a Mecânica Quântica?”, ou ainda, “os estado onírico ressoa com o a função de onda?”.


Bergson também oferece um estatuto de realidade do sonho quando diz que este habita o virtual. Se, ao evocarmos o virtual, temos todo o tempo à disposição, além de, monadicamente, fractalmente, encerrarmos o universo inteiro em um ínfimo, então esse ínfimo poderia ser nossas “mentes”? E, sendo o cosmos um lugar onde sua dinâmica permita leis naturais diferentes das que conhecemos, poderia o sonho ser uma ligação não-localizável de devires contra-natureza até então não experimentados?


O devir contra-natureza precisa adquiri um novo estatuto: não de retornar a uma natureza, mas engendrar o incomensurável: devir pós-natureza. Não podemos apriori definí-lo, ele não permite isso, não podemos a priori descrevê-lo, mas podemos mergulhar. Não precisamos de escafandro, apenas termos a prudência dos mais belos conceitos éticos.


O devir pós-natureza envolve, para dizer o máximo, uma ontologia que mescla o real e o imaginário, o real e o onírico, apreendendo o sonho como real. O sonho é apenar uma virtualidade real que é cada vez menos densa e mais veloz que o atual, que o mundo que normalmente se apreende.


A “análise” do sonho aqui ganha aspectos não interpretativos, mas de convocação para o incomensurável. O sonho existe, não é um possível, é plenamente real. Diante do sonho, cabe brincadeiras ontológicas: ponha o sonho no aqui, desenhe o sonho, não para dar um sentido chapado (isso significa aquilo), mas para minimamente atualizá-lo: cante o sonho, toque o sonho, como fez Jagger & Richards. Não escravize o sonho aos conceitos velhos, seja ele Édipo, figura e fundo, arquétipo ou rizoma. Deixe o sonho imprimir o (des)caminho ao incomensurável. (ver: "Ontologia Onírica: rumo a um estatuto de realidade do sonho")


Se o sonho reaparece como “premonitório”, não é porque ele é aviso, mas sim porque ele é atemporal. Tanto pode dizer de um passado, presente ou futuro. Mas isso não serve para alertar de algo que virá a ocorrer, esse é o descanso do neurótico. O sonho convoca a uma apreensão mais plena do virtual, retorce os sentidos rumo à atemporalidade. É um convite não para retomar ao tempo de outra forma, mas para superá-lo.


O devir pós-natureza já não briga com o Transcendental. O Transcendental apenas mais uma possibilidade, dentre infinitas: infinitos platôs.


A arte e o sonho são as bússolas do devir pós-natureza, intercessores do devir contra-natureza entre o devir pós-natureza. Se na arte enquadramos o caos, o sonho visita o caos: no devir pós-natureza nos tornamos caos, caos este que não mais entorpece, para além do bem e do mal, mas um caos que impulsiona para o incomensurável, age incomensuravelmente, é incomensurável + ∞...
Notas:
[1] Platão só havia ensinado como se ascende ao Mundo das Idéias, mas transformando-o em Uno, Plotino explica que descemos dele por uma indesejável sede de consciência, saindo então do Uno, que é absoluto inconsciente (a psicologia moderna inverteu esses valores, como é fácil de percerber). Já o neoplatônico tardio Jâmblico (250-325 d.C.) (IAMBLICUS-1985) povoa o até então vazio “entre” Uno e mundo da consciência com deuses, semi-deuses, daimons, anjos e arcanjos.
[2] A Golden Dawn – misto de hermetismo, cristianismo, filosofia, ciência e teosofia - foi fundada na Inglaterra em 1888 por membros da maçonaria, Fraternidade Rosa-Cruz e Sociedade Teosófica (REGARDIE – 2008).
[3] Vivemos em uma sociedade “desanimista”, poucos são os animistas assumidos: Spinoza, Leibniz, Whitehead. A ciência começa a ganhar um sotaque animista com a Hipótese Gaia de James Lovelock. (ver: “Animismo Vivo”)
[4] A irmã de Bergson, Mina, se casou com Samuel Matthers, um dos fundadores da Ordem Hermética Golden Dawn, mudando seu nome para Moina Matthers. Depois de ser acusada de fraude, Moina fundou com seu marido a dissidência Alfa e Ômega. Ela nunca conseguiu convercer Bergson de se ingressar na Ordem.
[5] O único autor que conhecemos que articula, ao longo de sua obra ficcional e filosófica, temas como Hermetismo, filosofia grega, Spinoza, Bergson, Mecânica Quântica etc, fazendo uma crítica radical da noção de realidade, é o norte-americano Philip K. Dick. (ver: “Ontologia Onírica”)


Tabela de Ressonância dos Conceitos
Princípios do Hermetismo
Filosofia da Diferença
Física Moderna
Mentalismo
Plano de Imanência
Vazio Quântico
Vibração
Multiplicidade
Supercordas
Ritmo
Máquina Abstrata
Atrator Estranho
Polaridade
Ressonância
Emaranhamento
Quântico
Correspondência
Mônada
Colapso de Onda
Fractais
Triangulação Dinâmica Causal
Causa e Efeito
Molar e Molecular
Partículas
Gênero
Centro de Envolvimento
Universo Eterno
(bouncing)
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2 comentários:

galú disse...

Vc já deu u/a olhada em Hanna Arendt. Livro "A vida do Espírito: o pensar, o querer, o julgar.? Mto interessante. Glaucia Altieri

Nelson Job disse...

Não li, Gláucia. Achei a temática interessante, mas agora, preciso me ater pra terminar a tese, e o filosofês vai ficar circunscrito à Filosofia da Diferença, mas agradeço a dica e espero poder conferir.