CO(S)MICIDADES: dia 15/10/16, sábado, de 10 às 18:00 (Rua Barão de Guaratiba, 29, Glória)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Scientiarum Historia IV: Ontologia Onírica

Participarei do Congresso Scientiarum Historia IV do HCTE, com 2 trabalhos. Para detalhes do Congresso, que será na UFRJ (Fundão) entre 19 a 21 de outubro:

O primeiro será juntamente com Virgínia Chaitin, "Seria a ciência mágica e a filosofia mística?", dia 19-10, quarta-feira, sala 04, das 16:30 às 18:30, compondo a mesa Estudos sobre ciência e epistemologia.

O segundo será "Ontologia Onírica: rumo a um estatuto de realidade do sonho", sexta-feira, dia 21-10, sala 04, das 14:00 às 16:00, na mesa História da Ciência da mente.

Seguem os resumos:

Seria a ciência mágica, e a filosofia mística?



Pretendemos com esse trabalho relacionar duas ressonâncias: a da magia com a ciência e a da mística com a filosofia, compondo uma inusitada “regra de três”:
magia – ciência
mística – filosofia
O antropólogo Marcel Mauss afirma que a magia é “a ciência por nascer” pois lida com o concreto, sem, no entanto, lidar com uma metafísica e um culto, o que a diferencia da religião. Já o filósofo Henri Bergson afirma que a religião interpenetra-se na magia enquanto fechada, pois é egoísta e não se preocupa com a Totalidade, mas a magia lança mão dos espíritos para realizar os seus nexos causais, que serão desenvolvidas pela ciência, obviamente sem o intermédio espiritual. Já a filosofia, que em seus primórdios dialogava com a religião, vai-se distanciando desta, tornando-se majoritariamente, no Ocidente, destituída de religiosidade.  A mística, entendida por Bergson como uma religião dinâmica, experiencial, vai estar presente em uma filosofia que corre paralelo na história do pensamento. Platão tem aspectos místicos que serão extremamente desenvolvidos no neoplatonismo de Plotino, Jâmblico etc. A partir daí, toda uma vertente mística da filosofia se desenvolve, influenciando o Hermetismo, pensamento místico que atinge seu esplendor na Era Medieval. Se a ciência e a filosofia Ocidental majoritária pouco dialogam com o espiritual, culminando em saberes dualistas, organizando o Caos, a magia conta com o Caos para se realizar e a mística permite-se tornar Caos, agora apreendido de outra forma, única. Toda uma filosofia minoritária desenvolve-se em ressonância com a mística, cuja vizinhança se estabelece de forma gradual: Estóicos, Spinoza, Bergson. Os dois últimos tem também uma influência da ciência de Kepler e Einstein, respectivamente. Analisando as ressonâncias e dissonâncias destes diferentes saberes e autores, pretendemos estabelecer relações específicas em termos gerais como, por exemplo: o mecanicismo da magia e o da ciência e a vivência da mística e da filosofia; a espiritualidade da magia e da mística e o racionalismo fechado da ciência e da filosofia ocidental majoritária. Partiremos, então, dessa “regra de três” em direção a um estudo das regras de racionalidade envolvidas, considerando diversos aspectos característicos, tais como: premissas ontológicas, agentes causais, lógicas de associação, redes conceituais, processos de verdade e a posição dos sujeitos desses saberes em suas práticas. A partir desse estudo, pretendemos delinear uma proposta de como nos relacionarmos com esses saberes para produzir de forma transdisciplinar uma nova forma de saber que emerge consistente, dinâmico e aberto.









Yerka
 Ontologia Onírica
rumo a um estatuto de realidade do sonho


Para texto completo, clique AQUI



A teoria dos sonhos se encontra domesticada. De um lado, a psicologia se limita aos seus aspectos simbólicos, de outro, a neurociência tende a colocá-la como apenas um guardião do sono, desprovido de significados profundos. A filosofia pouco fala do assunto. Alguns outros saberes necessitam serem chamados à nossa composição: a antropologia, que mostra como os sonhos podem ser extremamente considerados nos processos xamânicos; o saber hermético - como em Agrippa - e o religioso, que, tanto em sua faceta ocidental como oriental - no Taoísmo, Budismo etc - delegam ao sonho uma importância considerável. Se Freud trouxe a interpretação dos sonhos de volta a relevância na modernidade, mas castrou-o à repressão do desejo, Jung tratou de expandir seus sentidos, considerando não só seus aspectos simbólicos, mas também preditivos e criativos, dizendo inclusive, de forma não sistemática, que o sonho é natureza. Já a filosofia de Bergson, com seu original conceito de virtual, dão elementos para uma nova teoria dos sonhos, agora com um estatuto ontológico. Porém, quando este se põe a escrever - talvez assoberbado pelo então recente advento da psicanálise - sua abordagem onírica fica aquém do freudismo, sendo que o próprio Bergson evidenciaria os limites da psicanálise perante a sua filosofia anos depois, mas sem tocar no tema onírico. Guattari, munido de sua esquizoanálise, conseguiu trazer novos elementos não-interpretativos mas, sobretudo, experimentais, para a abordagem clínica dos sonhos. Agora, aliado com a proposta de consciência quântica de Penrose e Hameroff - que relaciona os sonhos com um funcionamento quântico no cérebro – e uma abordagem da neurociência menos reducionista, como a de Sidarta Ribeiro, se anuncia uma maior consistência a confluência de uma filosofia bergsoniana - tanto remetida às suas inspirações em Plotino, Spinoza, Leibniz etc, quanto aos seus desdobramentos em Deleuze e Worms - para efetivar uma nova teoria dos sonhos, que insinuaremos seu porvir aqui.






Bibliografia

AGRIPPA DE NETTESHEIM, Henrique Cornélio, 2008, Três livros de Filosofia Oculta. 1 ed. Madras editora, São Paulo
BERGSON, Henri, A Energia Espiritual. 2009, 1 ed. Ed. WMJ Martins Fontes, São Paulo.
DELEUZE, Gilles, 2005, A Imagem-Tempo. 1 ed. São Paulo, Editora Brasiliense.
JUNG, C. G., 1961, Memórias, sonhos, reflexões. 1 ed. Rio de Janeiro, Editora Nova
GUATTARI, Félix, 1988, Os 65 sonhos. in: Mais! Folha de São Paulo de 16 de fevereiro de 2003.Fronteira.
PENROSE, Roger e HAMEROFF, Stuart, 1996, Orchestrated reduction of quantum coherence in brain microtubules: a model of consciouness. 1 ed.in: Hameroff, Kaszniak e Scott (org.) Toward a science of consciousness – the first Tucson discussions and Debates. Massachusetts Bradford Book – The MIT Press.
WORMS, Frédéric, Bergson ou os dois sentidos da vida. 2011, 1 ed. Ed. Unidesp, São Paulo.


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