CO(S)MICIDADES: dia 15/10/16, sábado, de 10 às 18:00 (Rua Barão de Guaratiba, 29, Glória)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Vortex: Ubiquidade Cósmica

Vortexologia pragmática para sonhadores ontológicos

Nelson Vortex Job

Este texto em inglês: AQUI



A Ontologia Onírica emerge das relações entre magia e ciência, mediadas pela filosofia. Disso resulta um amálgama em grandes proporções de conceitos transdisciplinares. Urge forjar um conceito  que atravessa toda a Ontologia Onírica e forneça a plasticidade necessária cuja articulação de conceitos antigos transformados permitiram outrora. Este conceito é o vortex.

O vortex, como aqui o apreendemos, é uma relação de forças em devir selvagem que se auto-organiza em torno de um atrator gerando instâncias no tempo, espaço, ser, ou melhor, na acontecência, de maneira ubíqua. O vortex aparece em outras saberes, como na dinâmica de fluidos, cuja vorticidade tem características matemáticas. Esse vortex específico emerge nos furacões, tornados, nos movimentos do café na xícara. Seu campo vetorial, ou campo de forças são versões do nosso campo relacional, no sentido em que parafraseamos Whitehead: toda relação entre vortexes é em si um vortex. Todos esses vórtices são intuições de um conceito mais profundo de vortex.  Vejamos outras tendências: na teoria da Relatividade, existe vortex de espaço-tempo, efeito de uma massa que deforma o tecido espaçotemporal do cosmos:



Na Mecânica Quântica, a complementariedade onda-partícula é, ontologicamente, um objeto estranho, (um "quantom", como diria Mario Bunge) que envolve características de onda e partícula. Isso é uma intuição do vortex em nossa conceituação, que é uma relação de forças local, porém ubíqua, e sua acontecência se dá singularmente em função dessa coexistência. Tanto um vortex é uma coexistência de vorticidade cósmica não-local quanto tem relação de vizinhança e  relação não-local com um ou mais vortexes. Em suma, o vortex em seu aspecto quântico, ou seja, enquanto quantom, é local e não local, coexistindo de forma mais coagulada localmente e  de forma mais virtual não localmente, porém localidade e virtualidade se sobrepõem.

Os fractais, figuras auto-similares, intuem a ubiquidade do vortex: os vortexes são auto-similares, imanentes tanto à ontologia quanto à epistemologia, ou seja, o vortex é, de fato, na Natureza em seu sentido mais amplo e profundo, ubíquo e auto-similar. A Teoria das Supercordas Twistor - de uma forma mais cósmica e mais ínfima - e a Triangulação Dinâmica Causal - mostrando a relação dos fractais com os fenômenos quânticos - intuem cada uma a seu modo a ubiquidade e auto-similaridade do vortex, bem como sua passagem pelas físicas: quântica, relativísticas e caótica, mostrando que existe um atravessamento por elas, uma transdisciplinaridade, afinal, todas elas descrevem aspectos do cosmos que habitamos e somos.


O conceito filosófico de máquina abstrata (com sua devida explicação mais simples: o atrator estranho) intui o aspecto ontológico do vortex: o vortex é formado por vortexes e compõe outros vortexes e essa monadologia (como também os modos de Spinoza) de vortexes coexiste(m) em vários níveis.

Vejamos esses aspectos ou níveis coexistentes e implicados de vortexes:
.  vortex enquanto epistemontológico, que é pura imanência
.  vortex enquanto cósmico e suas partículas que se autorganizam em astros - o vortex enquanto geológico que se autorganiza na terra
vortex enquanto anímico que se autorganiza nos transindivíduos vivos orgânicos e não orgânicos (e nunca "indivíduos", pois não existe vortex isolado, mas em níveis variáveis e de gradação de relações de vortexes enquanto locais e não locais)
vortex enquanto virtual: o Tempo e sua coexistência em múltiplos tempos, sendo que a linearidade cronológica é um vortex dilacerado, estreitado, preso; o vortex virtual em seu esplendor é coexistência dos tempos, das imagens-sonhos
vortex enquanto espiritual: vortex que povoam o cosmos para além do tempo e do espaço, mas incidindo incidentalmente no tempoespaço, visto que existem relações não locais entre vortexes. Apreendê-lo é o que alguns chamam de "iluminação". O vortex é atual e virtual, mas essa dualidade não faz mais sentido, o vortex é o cone de Bergson em sua fluidez cósmica (tanto Descartes como Newton, mas sobretudo Bergson tentaram anunciar o vortex,  se muito mecanicista nos primeiros, assombrado por certa dualidade, ainda que atenuada, no bergsonismo. Por sua vez, David Bohm sempre quis afugentar o vortex). O vortex é, precisamente, intensivo
. vortex enquanto transcendente: a vorticidade cósmica pode entrar em colapso, a qualquer momento. O vortex    está em devir mais enlouquecidamente selvagem, o que poderia engendrar um colapso mais ou menos alastrador que dele, do vortex em seu estado mais plenamente coexistente, porém, mais intensamente colapsante, pode gerar uma vorticidade transcendente. O vortex transcendente pode deixar de ser vortex, pode deixar de Ser, pode deixar de não-ser, pode. Em suma: o vortex pode gerar uma transcendência a posteriori.

O vortex tem velocidades variáveis, uma determinada mudança na velocidade pode desencadear um processo em cadeia que altera a velocidade de vários vortexes. Porém, quando alguma velocidade destoa da harmonia, instaura-se alguma perda de potência. Um vortex precisa entrar em ressonâncias com os outros, quanto mais ressonância cósmica melhor. Ecos spinozistas: os modos precisam compor com outros modos, gerando aumento de potência, alegria. A ressonância intensiva dos vortexes em seu maior esplendor, gera a mais plena gargalhada cósmica

Uma Vortexologia é anunciada: a arte evidencia o vortex, a ciência modela o vortex, a filosofia ex-plica o vortex, a magia conjura o vortex. A meditação intensifica o vortex, a Ética cultiva o vortex, o amor multiplica o vortex. A Ontologia Onírica vive o vortex.

O vortex alucina, traz a Tempestade às entranhas da realidade. Muitas realidades são forjadas utilizando em seu bojo esse ou aquele vortex, ou seja, o vortex advoga uma realidade múltipla, perspectivista. O sonhador ontológico vive em vortex e dorme em seu olho do furação, instância de mobilidade infinita que tende ao zero, mas nunca (ou quase nunca?) chega a zero. Tanto movimento e ausência de movimento, quanto guerra e paz, vida e morte etc, são dualidades enganadoras que o vortex trai, desdobra. "Equilíbrio instável": vertigens  e perversões éticas, assim é o vortex. Vortexear devires até deixar de Ser, até mesmo deixar de não-ser. Vortexologia: devir vortex - multiplicidade vortex - cosmos vortex...




Transcendência a posteriori (verbete)



A transcendência a posteriori é um conceito do transaber conhecido enquanto Ontologia Onírica. Ela é uma possibilidade do devir selvagem, sem diques. Um devir que é de fato imprevisível, pode criar inclusive uma transcendência, que emerge de uma imanência. Essa transcendência a posteriori não tem nada em comum com as transcendências e Transcendentais a priori da filosofia ocidental. Não é uma transcendência platônica (mundo das ideias), escolástica (Deus católico), kantiana (imperativos categóricos) nem um não-ser neoplatônico. Acerca da transcendência a posteriori, nada se sabe: se   ela é dualista, discreta (em oposição a um contínuo), se ela está em oposição a uma imanência? Apenas sabemos que emerge de uma imanência, não necessariamente nela.

Textos deste blog em que aparecem este verbete: