CO(S)MICIDADES: dia 15/10/16, sábado, de 10 às 18:00 (Rua Barão de Guaratiba, 29, Glória)

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Simpósio Internacional Renascimentos - cosmologia, natureza e ética



GT Ética e Filosofia Política no Renascimento - ANPOF

Simpósio interdisciplinar que reunirá pesquisadores de todo mundo para desdobrar as confluências entre o Renascimento e contemporâneo.

QUANDO: 9 a 11 de setembro de 2015
ONDE: Rio de Janeiro, CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) 
R. Xavier Sigaud, 150, Urca.
Evento Gratuito aberto a qualquer interessado.

PROGRAMAÇÃO 
Quarta 09/09
14:00 Mário Novello (CBPF, Rio de Janeiro)
14:45 Wolfgang Neuser (TUK, Kaiserslautern)
15:30 Pausa
15:45 José Martins Salim (CBPF, Rio de Janeiro)
16:30 Nelson Job (HCTE/UFRJ, Rio de Janeiro)
17:15-18:00 Mesa redonda

Quinta 10/09
09:00 Pietro Omodeo (Max Planck Institut für Wissenschaftsgeschichte, Berlim)
09:45 Jonathan Molinari (USP, São Paulo)
10:30 Pausa
10:45 Fabrina Magalhães Pinto (UFF, Campos)
11:30 José Luis Ames (UNIOESTE, Toledo)
12:15 Almoço
14:00 Flávia Benevenuto (UFAL, Maceió)     
14:45 Gabriel Pancera (UFMG, Belo Horizonte)
15:30 Pausa
15:45 Helton Adverse (UFMG, Belo Horizonte)
16:30 Gilmar Henrique Conceição (UNIOESTE, Toledo)
17:15-18:00 Concerto

Sexta 11/09
09:00 Newton Bignoto de Souza (UFMG, Belo Horizonte)
09:45 Luiz Carlos Bombassaro (UFRGS, Porto Alegre)
10:30 Pausa
10:45 Celso Martins Azar Filho (UFF, Niterói)
11:30 Maria Cristina Theobaldo (UFMT, Cuiabá)
12:15 Almoço
14:00 Sergio Xavier Gomes de Araújo (UNIFESP, São Paulo)
14:45 Mesa redonda
15:30 Café & biscoitos


RENASCIMENTOS por Mário Novello
Esse Seminário pretende retornar aos últimos momentos em que as utopias ainda não eram controladas e a ciência surgiu, cheia de esperanças e de ambições de encontrar as razões escondidas no cosmos que as transcendências nele projetadas escondiam dos humanos. Hoje, e por razões que analisaremos nesse Seminário, estamos ansiando por um novo Copérnico, uma nova utopia, um novo cosmos alargado no espaço e em sua eternidade para nos libertar do peso excessivo que a técnica, ao impor à ciência sua orientação pragmática, submeteu-nos.

Com efeito, na segunda metade do século XX a física esqueceu por momentos seu sucesso prático e pretendeu se abrir para uma entusiasmante discussão sobre o universo. A partir de duas propostas geradas entre os anos 1915 e 1919 por Einstein e Friedman, os cientistas mergulharam pela primeira vez desde a época de Newton, em um modo novo de análise das propriedades globais do universo.  Como consequência, e sem controle, instalou-se uma batalha entre diferentes modos acessíveis aos cientistas. O modo associado ao pensamento aberto, esperando por novidades que viriam de observações de regiões longínquas, muito além de nossa galáxia; e, em oposição, um pensamento rígido, moldado na eternidade das leis da natureza a partir de extensão da física terrestre ao universo, impedindo o exame de novidades formais não reconhecidas no programa convencional da ciência.

Ao longo dos últimos 20 anos daquele século e nos primeiros anos desse, as evidências provocadas pelos astrônomos pareciam ter encerrada a questão e dado vitória ao modo conservador de produzir ciência. No entanto, observações inesperadas projetadas para a frente da cena cósmica determinaram o retorno a propostas abandonadas ao final daquele século, provocando uma crise que se instaurou na racionalidade dura que até então controlava a cosmologia.

É desse movimento de liberação, desse renascimento do pensamento cósmico que iremos falar. No entanto, é importante que tenhamos em mente que se trata ainda de um movimento subterrâneo, fora dos holofotes da mídia com que hoje se produz verdades cientificas. Os grandes programas, os projetos ambiciosos para além de uma racionalidade simplista, as fantasias idealizadas, as utopias formais foram colocadas à parte, tornando-se programas vigiados pelo sistema, controlados de inúmeras formas e, em particular, através dos procedimentos de financiamento das pesquisas.

No entanto, dessa nossa análise emerge cristalina a necessidade de um novo compromisso cósmico, requerendo um novo Copérnico, novas utopias espelhadas nas maravilhosas propostas de Godel e Cantor. Devemos enfim examinar as consequências do espanto provocado pela perda do controle da finitude do cosmos e a necessidade de compreender o significado da eternidade do universo que os cosmólogos produziram. Porque, afinal, é isso que estamos aprendendo: não há nenhuma evidência cósmica de que possamos retirar dessa análise a concordância que nos faça entender o diminuto papel do homem no cosmos.

RENASCIMENTOS, por Luiz Carlos Bombassaro
Concepções cosmológicas estão profundamente ligadas ao modo como compreendemos o universo, a natureza, a vida e o ser humano. Não há cultura que não tenha produzido, ao seu tempo e em seu contexto histórico e social, uma imagem de mundo baseada na interpretação do cosmos. Representações artísticas, narrativas míticas, reflexões filosóficas e explicações científicas servem para mostrar a presença marcante da cosmologia, em suas mais variadas formas de interpretação. Por isso, também não se pode deixar de reconhecer que as concepções cosmológicas constituem o horizonte interpretativo sobre o qual incidem perguntas imprescindíveis para compreender a própria experiência do pensar e do agir humano.

Embora as perguntas sobre o cosmos tenham uma longa história, não resta dúvida de que foi em torno da cosmologia e da filosofia da natureza que foram sendo forjadas as bases do projeto moderno, instituído com o advento da moderna mentalidade científica associada à transformação histórico-conceitual produzida pelo movimento intelectual ao qual costumamos chamar de Renascimento. Isso é especialmente significativo quando se considera o contexto da revolução copernicana, para a qual Nicolau de Cusa e Giordano Bruno, dentre outros, ofereceram argumentos metafísicos e matemáticos decisivos para os debates acerca da unidade, da infinitude e da eternidade do universo.

Mas, ao propor a substituição do modelo de um mundo fechado para o modelo de um universo infinito com uma pluralidade de mundos, teria a grande mudança conceitual operada pela revolução copernicana também transformado o modo de compreender o próprio homem? As reflexões de Maquiavel e Montaigne, por exemplo, parecem indicar claramente uma íntima conexão entre cosmologia e filosofia moral, natureza e política. No caso de Maquiavel, o movimento do mundo celeste, eterno e circular, contrapõe-se às contínuas transformações do mundo sublunar, onde tudo é instável e está sujeito à corrupção e à mudança. Mas, não raras vezes, o próprio modelo da cidade ideal busca inspiração na representação idealizada do cosmos, como em Leonardo Bruni. Por isso, pode-se justificar que para o pensamento renascentista conflito e harmonia ora são contrapostos, ora se complementam; que a ordem do cosmos guarda uma relação direta, às vezes de valência inversa, com a liberdade humana, como bem o mostram pensadores como Giovani Pico della Mirandola e Leon Battista Alberti.


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Palestrantes – Título e resumo das palestras

Carlo Gabriel Kszan Pancera (UFMG, Belo Horizonte)
Experiência e natureza em Maquiavel

Maquiavel erige sua reflexão tomando como ponto de partida a sua própria experiência nas coisas de governo. A transposição de tal experiência para o campo teórico exige, no entanto, o recurso a uma certa noção de natureza. A comunicação pretende, então, discutir o estatuto dessa noção.

Celso Martins Azar Filho (UFF, Niterói)
Cosmologia e filosofia moral em Montaigne

Há uma relação entre cosmologia e filosofia moral nos Ensaios de Montaigne bastante evidente – e central para a estrutura da obra: mobilismo universal e ceticismo. Pois se todas as coisas se movem e transformam incessantemente, como conhecer seja o que for? Propõe-se um exame desta interrogação, através da consideração do conceito de tempo montaigniano, com o objetivo final de esclarecer o funcionamento do método/estilo ensaístico.

Fabrina Magalhães Pinto (UFF/PUCG, Campos)
A cidade ideal de Leonardo Bruni no Renascimento italiano

Leonardo Bruni, chanceler e historiador de Florença, e um dos primeiros tradutores de Platão e Aristóteles no século XV, também é autor de um dos principais elogios da cidade de Florença deste período. Ao escrever a Laudatio florentinae urbis, em 1404, o humanista transforma Florença e seu governo no tipo ideal de cidade justa, bem ordenada, harmoniosa, bela, e onde reina a liberdade e participação cívica contra todo tipo de tirania. Portanto, nosso objetivo nessa comunicação é o de compreender a Laudatio não só como panfleto político e peça retórica defensora dos ideais republicanos num momento chave da história da cidade, mas também, como um dos textos precursores da constituição de Florença como modelo da cidade ideal; a cidade construída segundo a razão e perfeitamente adequada ao novo homem político e à cidade-estado que emerge na Renascença italiana.

Flávia Roberta Benevenuto de Souza (UFAL, Maceió)
Cosmos e fortuna na obra de Maquiavel

Admitindo-se que quanto maior a força da fortuna menor a liberdade para efetivar ações capazes de conduzir o ator político ao êxito no mundo da contingência, torna-se imprescindível saber até que ponto ela exerce poder sobre as ações dos homens. Mas seria possível precisá-lo? Pretende-se investigar a questão a partir do contexto histórico em que as obras de Maquiavel foram escritas, assim como de uma certa compreensão que se tinha do cosmos em seu tempo, para analisar a relação que o autor estabelece com a tradição, ora assumindo-a, ora a ela se opondo.


Gilmar Henrique da Conceição (UNIOESTE, Toledo)
Montaigne e a lei: sobre o Do costume e de não mudar facilmente uma lei aceita (I, 23) e Da experiência (III, 13)


Este trabalho quer ressaltar a dimensão jurídica dos Essais, que por muitos anos tendeu-se a negligenciar. Para tanto, examinaremos questões críticas trazidas por Montaigne, para uma melhor compreensão do discurso jurídico e de sua interação com a ética. O debate que ele realiza acerca da lei e da justiça se apresenta aos leitores como um problema paradoxal: a base da lei é frágil, mas é necessário obedecê-la. Argumenta que, na lógica da multiplicação das leis, é possível criar uma lei para cada ser humano, todavia esta infinidade de leis não esgota a possibilidade de julgamentos distintos, visto que não há conformidade entre os atos e as leis, pois os primeiros são mutáveis ao passo que as últimas são fixas e estáticas. Assim, ele pede uma simplificação das disposições legislativas. O exame racional das leis, dos governos, e dos costumes revela suas precariedades; são produtos humanos históricos e não têm nenhum fundamento natural ou sobrenatural. O autor se apresenta como um crítico temível, que destrói as instituições, e, simultaneamente, como um político prudente, registra que há a necessidade da obediência política, por imperfeitas que sejam as instituições e as ações dos governos, e sustenta que a autoridade da lei não depende da sua justiça.

Helton Adverse (UFMG, Belo Horizonte)
Maquiavel, política e conflito

Na perspectiva de Maquiavel, a vida política implica a existência de conflitos, mas de modo fundamental e estruturante. Os conflitos são inelimináveis e originários. E o Florentino destaca ainda duas de suas formas: há os antagonismos que prejudicam as comunidades políticas e há aqueles que as beneficiam. Os primeiros são “resolvidos” por via privada e os segundos por via pública. O objetivo de minha exposição é explicitar suas diferenças e melhor compreender suas causas recorrendo à “teoria dos humores”. 

Jonathan Molinari (USP, São Paulo)
As leis do cosmos e a liberdade do homem: Giovani Pico della Mirandola e Leon Battista Alberti

Tanto na Oratio como no Commento, tanto no De ente et uno como nas Disputationes, o interesse de Pico se dirige com intenções e perspectivas diversas à relação entre a ordem do cosmo e a liberdade do homem. A peculiaridade da posição de Pico fica mais clara sob a perspectiva da aguda observação de Eugenio Garin, segundo a qual, bem antes que o jovem conde de Mirandola escrevesse seu célebre elogio à dignidade humana, Leon Battista Alberti já havia preparado o argumento. É a partir do confronto entre as posições de dois dos maiores pensadores do Quattrocento que a originalidade da reflexão renascentista a respeito da relação entre ética e cosmologia pode ser melhor compreendida, seja em seu contexto histórico, seja no âmbito de problemas que marcarão o desenvolvimento do pensamento moderno.

José Luiz Ames (UNIOESTE, Toledo)
Natureza e cosmologia em Maquiavel: entre o fatalismo e a autonomia da história

A leitura da obra de Maquiavel nos evidencia a importância das questões cosmológicas na estruturação de seu pensamento político. Nas descrições oferecidas por Maquiavel em sua obra, a ordem do cosmos parte da premissa de que o movimento do mundo celeste é eterno e circular, ao passo que o mundo sublunar está submetido a alterações e transformações contínuas, ligadas - de algum modo e em alguma medida - à dinâmica da esfera celeste, as quais provocam a instabilidade das coisas humanas e do mundo. Autorizaria isso a afirmação de que haveria um tipo de causalidade exercida pelos céus tanto nas ‘coisas do mundo’ quanto nas ‘coisas humanas’ que submeteriam os seres humanos às mudanças qualitativas supostamente ligadas aos movimentos astrais e às limitações impostas a eles pelos humores individuais? Cosmos e natureza são regidos por leis fixas. Implicaria isso na conclusão de que a marcha das coisas humanas, uma vez que “todas as nossas ações imitam a natureza” (Discursos II, 3:12), é também determinada pela mesma necessidade inelutável que comanda as coisas naturais e o cosmos? Neste caso, como conciliar isso com a afirmação maquiaveliana, igualmente enfática, da existência do livre arbítrio? Nosso objetivo será mostrar que o apelo de Maquiavel a descrições cosmológicas e naturais respondem a um duplo objetivo. Por um lado, presta-se para evidenciar o encadeamento necessário dos eventos: assim como os astros seguem um movimento contínuo regido por leis imutáveis que assegura a ordem, os homens precisam estar submetidos a forças que excedam à sua vontade - ou seja, à necessidade - para agirem virtuosamente. Por outro lado, a ordem cosmológica serve para ressaltar os limites da ação humana no tempo: na ação intervêm fatores incontroláveis à vontade humana e que revelam os limites da ação histórica apontando para a necessidade existir virtù, individual e coletiva. Em suma, mesmo reconhecendo a influência “das coisas do céu” sobre “as coisas humanas”, aquelas não determinam estas: em lugar do fatalismo de uma interpretação “cosmologizante”, a afirmação da autonomia da vida histórica.

José Martins Salim (CBPF, Rio de Janeiro)
Rumo à terceira revolução copernicana.

Buscaremos fazer uma distinção entre moral e ética, entre espaço e duração, entre representação e expressão. Se tivermos sucesso nesse esforço, teremos elementos para colocar com consistência o aumento de potência como um problema da vida. Emerge então nesse domínio a questão de se a técnica e a ciência, nomeadas na atualidade por ciência moderna, a nova religião materialista, servem como instrumento de afirmação ou dominação da vida?"

Luiz Carlos Bombassaro (UFRGS, Porto Alegre)
Giordano Bruno, universo infinito e finitude humana

Após criticar radicalmente a cosmologia geocêntrica (aristotélico-ptolomaica) e defender a cosmologia heliocêntrica (copernicana), Giordano Bruno apresenta sua concepção filosófica sobre a homogeneidade e a infinitude do universo, bem como sobre a pluralidade dos mundos, em O infinito, o universo e os mundos (1584). Essa mudança conceitual, no entanto, será completada com uma investigação sobre as consequências ético-morais da cosmologia infinitista, desenvolvida simultaneamente em Spaccio de la bestia trionfante (1585). Mostrar algumas conexões entre a reflexão sobre a cosmologia e a ética brunianas, indicando o vínculo com o seu tempo (história) e o rompimento com a mentalidade da sua época (metafísica e epistemologia), pode ajudar a compreender melhor a transformação do pensamento filosófico e científico no alvorecer do mundo moderno.

Maria Cristina Theobaldo (UFMT, Cuiabá)
Montaigne, Sêneca e a utilidade dos saberes

Nos Ensaios, a partir de forte inspiração senequiana, as artes liberais e as ciências são submetidas à análise com vistas a determinar o potencial de cada uma em subsidiar a conduta moral, e decorrendo daí o seu grau de utilidade. Quais contribuições a astronomia, a gramática, a retórica, a geometria ou a lógica oferecem para a reflexão ética? Acompanhado por Sêneca, nas Cartas a Lucílio, Montaigne conduz sua crítica aos saberes e delega à filosofia a tarefa propedêutica de orientar os demais estudos e de guiar o julgamento moral. Procede, então, perguntamos sobre a constituição e o modo de atuação que fazem da filosofia o mais útil dos saberes.

Mário Novello (CBPF, Rio de Janeiro)
As leis da Física e o Universo (vide texto do autor acima)


Nelson Job (HCTE/UFRJ, Rio de Janeiro)
Renascimentos: do resgate da Antiguidade à emergência de um saber híbrido

O Renascimento cultivou na “noosfera” europeia uma recuperação da sabedoria da Antiguidade em que os saberes pouco estavam separados. Ciência, filosofia e arte davam-se as mãos para produzirem vários novos e prodigiosos conhecimentos. Em seguida, o Iluminismo e a Revolução Científica suscitaram saberes devidamente separados e um mundo cindido entre ele próprio e sua representação, que se tornou ainda mais importante que o próprio mundo. Hoje, as rachaduras do Iluminismo aparecem em todo lugar, o que nos remete, visto a urgência contemporâneo de um intenso diálogo entre os saberes, outro “Renascimento”, cuja imanência poderia se instalar inclusive ao longo da epistemologia e ontologia.


Newton Bignotto de Souza (UFMG, Belo Horizonte)
Nicolau de Cusa: Entre a metafísica e a cosmologia

Pretende-se mostrar como no pensamento de Nicolau de Cusa as investigações metafísicas comportam consequências cosmológicas, que serão essenciais para o desenvolvimento posterior do pensamento filosófico e científico. 

Pietro Omodeo (Max Planck Institut für Wissenschaftsgeschichte, Berlim)
Cosmos e ethos no tempo de Giordano Bruno
How does our view of nature and the universe affect our understanding of ourselves as human beings? Can a shift in science transform our values and ideals? The Renaissance philosopher Giordano Bruno, for one, was convinced that a close connection exists between natural philosophy and ethics. He developed his views on nature, the universe, humanity and ethics in philosophical works bringing together post-Copernican cosmology, atomism and Cusanian infinitism. His tragic end as a victim of the Roman Inquisition in the Jubilee year of 1600 raises many questions regarding the tension between natural inquiry and religious orthodoxy, as well as between philosophical freedom and societal conformity in his time and in modernity.

Sérgio Xavier Gomes de Araújo (UNIFESP, Guarulhos)
Gloria e Vanitas nos Ensaios de Montaigne

Trata-se do exame do tratamento particular que Montaigne dá à célebre tópica clássica e humanista da ambição de glória – gloriae cupiditas – em seu imenso e diversificado repertório de sententia, argumentos e imagens de modo a apreender o sentido próprio que adquire nos Ensaios enquanto meio da enunciação de uma noção específica de virtus ligada ao projeto do autorretrato que orienta o plano mais geral da obra.

Wolfgang Neuser (Universidade de Kaiserslautern, Kaiserslautern)
Duas culturais pós-tradicionais: Renascença e sociedade do conhecimento

O desenvolvimento da cultura ocidental pode ser entendido a partir da maneira como se dá, em cada época, a mudança das concepções sobre o que seria o conhecimento e do modo como se lida com ele. Ao lado das épocas tradicionais, nas quais existe um acordo sobre métodos, normas e campos objetivos de investigação que podem ser pensados, há fases pós-tradicionais, nas quais, num curto espaço de tempo, as normas, os métodos e o que pode ser pensado se transforma de tal modo que nenhuma concepção seria consensual a longo prazo e que, via de regra, não chega a durar mais que uma geração. Nessas épocas o conhecimento se auto-organiza e as fases pós-tradicionais apresentam-se como fases de transição entre as fases tradicionais.

Marcio Tavares d'Amaral (UFRJ, Rio de Janeiro)
Ocidente, Terra da Noite: o sol renascerá?

Nesse momento da cultura contemporânea já se adquiriu o hábito de incorporar sem reflexão a condenação ‘pós-moderna’ da estrutura nuclear de toda a cultura ocidental desde os antigos gregos: real, fundamento, representação, verdade, sujeito. O discurso pós-moderno das três últimas décadas do século XX insistentemente tratou do esvaziamento do real, do fim das estruturas de fundamento e verdade, da crise da representação e do fim de um ‘sujeito de consciência’. O Ocidente como cultura longamente experimentada estaria assim acabando no momento da globalização da cultura. Ocidente diz-se em alemão Abend Land – Terra da Noite. Desse ocaso anunciado haverá renascimento? Se sim, em que horizonte veremos um novo sol?